Análise da compra da Carbide pela Dow não chegou ao Cade
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2000
Por Viviane Mottin 
São Paulo, 16 (AE) - A análise sobre se há ou não ato de concentração na aquisição da Union Carbide pela Dow Chemical ainda não chegou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A origem do processo foi o anúncio, no ano passado, da intenção da Dow comprar todas as operações mundiais da Union Carbide no mundo. O processo está na Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE), do ministério da Fazenda, desde 24 de agosto do ano passado, onde deveria ser avaliado e ter parecer em um prazo de apenas 30 dias. Esse limite, porém, é alterado cada vez que o órgão necessita informações adicionais sobre o caso em análise.
Outro parecer, o da Secretaria de Direito Econômico (SDE), do ministério da Justiça, também não está pronto. Os dois documentos seguem juntos para o Cade, onde o prazo para o parcer final é de 60 dias. Essa demora poderá fazer com que o parecer do órgão antitruste norte-americano, sobre a compra da Union Carbide pela Dow, saia antes do resultado brasileiro. Uma decisão independe da outra, segundo o Cade. Mas, no final do ano passado, o órgão antitruste brasileiro admitia que a solução do caso poderia sair em fevereiro, bem antes e independente da americana.
No Brasil, a Dow possui indústrias de cloro, soda e derivados, em Aratu (BA), de monômero de estireno, em Camaçari (BA), de poliestireno, em Cubatão (SP), e uma parceria com a Petroquisa e a Petroplastic na Petroquímica Triunfo, para produção de polietileno de baixa densidade, no pólo petroquímico de Triunfo (RS).
Com a aquisição da Union Carbide, passa a participar da Petroquímica União (PqU), com 13% do controle da central de matérias-primas do pólo petroquímico de Capuava (SP). Por meio da EDN - Estireno do Nordeste, a Dow também mantém participação de 12,46% na Norquisa, que controla a Companhia Petroquímica do Nordeste (Copene), a central de matérias-primas do pólo de Camaçari. Caso o processo seja aprovado pelo Cade, à Dow só ficará faltando participação no controle da central de matérias-primas do pólo petroquímico de Triunfo (Copesul) e no gás-químico do Rio (Rio Polímeros) - onde, aliás, já mostrou disposição para investir, desde que na condição de sócia. Esse negócio, embora não tenha sido aceito anteriormente, não está descartado.
Fontes do setor petroquímico especulam que a composição acionária da Rio Polímeros ainda poderá ser mudada. Nesse caso, pela redução do porcentual do controle de um dos sócios privados - ou mais adiante, pela saída do BNDESPar, que só entra como investidor inicial, podendo vender sua parte após consolidação do negócio. Hoje, é formada pelo BNDESPar (17%), Petrobras (16%)
Unipar (33,5%) e grupo Suzano (33,5%).


