Pela primeira vez desde que o IBGE começou a medir a taxa de alfabetização da população, caiu o número absoluto de brasileiros com mais de 15 anos analfabetos. Em 1991, eles eram 19.233.758. No ano passado, 16.294.889.
Os resultados do Censo 2000 confirmam tendência já esperada de queda também na taxa de analfabetismo. Em 1991, a porcentagem de analfabetos era de 20,07% na população acima de 15 anos e caiu para 13,63% em 2000.
O IBGE divulgou também a taxa de analfabetismo na população com dez anos ou mais, mais usada na comparação entre os censos do que a taxa dos que têm mais de 15 anos, empregada em comparações internacionais.
A queda do analfabetismo na população com dez anos ou mais foi maior na década passada do que na de 80. Os censos foram realizados em 1980, 1991 e 2000.
Em 1980, 25,5% dos brasileiros com dez anos ou mais não sabiam ler nem escrever. Essa porcentagem caiu para 19,7% em 1991 (5,8 pontos percentuais a mais), e para 12,8% em 2000, uma redução de 6,9 pontos percentuais.
A queda nessa taxa é explicada principalmente pelo aumento da alfabetização entre os mais jovens. Entre 10 e 14 anos, a taxa recuou de 17,7% em 1991 para 7,2% em 2000.
O censo mostra que a redução é uma tendência natural que segue o envelhecimento da população. ''As altas taxas de analfabetismo estão concentradas nas populações mais velhas. À medida que as pessoas mais idosas morrem, cai a taxa de analfabetismo'', diz Simon Schwartzman, especialista em educação e ex-presidente do IBGE.
Outra tendência confirmada pelo censo é a melhoria na escolaridade das mulheres em relação aos homens. As taxas de analfabetismo no grupo entre 10 e 14 anos entre mulheres são menores do que entre os homens, situação que só se inverte na população acima de 40 anos de idade.
Para o coordenador de publicações da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) no Brasil, Célio da Cunha, a queda concentrada principalmente na faixa etária de 10 a 14 anos é reflexo da prioridade que foi dada pelo governo federal ao ensino fundamental (de 7 a 14 anos) na última década. (Agência Folha)

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