Agência Estado
Do Rio
O desafio de vencer o analfabetismo no Brasil foi debatido ontem, Dia Internacional da Alfabetização, na abertura do Encontro Nacional de Educação de Jovens e Adultos, no Rio. No encontro, sobraram críticas à falta de uma política nacional de alfabetização de jovens e adultos. Os participantes do evento pretendem elaborar uma proposta integrada para o setor, articulando esforços da União, Estados, municípios, iniciativa privada e organizações não-governamentais.
O Brasil vai chegar ao fim da década longe de cumprir a meta de erradicar o analfabetismo, assumida em 1990, durante a Conferência Mundial de Educação para Todos, na Tailândia, apesar da redução do problema entre a população jovem. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que 14,6% da população acima de 15 anos não sabia ler nem escrever em 1996, o que equivale a cerca de 15 milhões de pessoas.
‘‘O Brasil carece de uma política coerente e integrada de educação para jovens e adultos’’, afirmou o presidente do Conselho Nacional de Educação e do Conselho Nacional de Secretários de Educação, Éfrem de Aguiar Maranhão, secretário de Educação de Pernambuco. Na avaliação de Maranhão, uma política integrada deve proporcionar não apenas o acesso à escolaridade básica, mas também oportunidades de qualificação e atualização para o trabalho e criação de renda.
O Serviço Social da Indústria (Sesi) é uma das entidades que desenvolvem programas de alfabetização em parcerias com empresas, prefeituras e governos estaduais, atuando em 2.200 municípios e atendendo a 600 mil alunos. A meta do Sesi é ter 7,1 milhão de alunos matriculados até 2004. ‘‘Dependemos da aprovação de um empréstimo de US$ 600 milhões do Banco Mundial’’.
A coordenadora de educação para jovens e adultos do Ministério da Educação (MEC), Leda Seffrin, afirmou que o objetivo do ministério é fortalecer a articulação entre governo e entidades da sociedade civil comprometidas com a educação. Segundo ela, o MEC apóia financeiramente iniciativas de educação para jovens e adultos em 619 municípios e investe na formação de professores.

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