Anac prevê caos nos aeroportos até hoje
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quinta-feira, 07 de dezembro de 2006
Andreza Matais<br>Folhapress 
Brasília- O presidente da Agência Nacional da Aviação (Anac), Milton Zuanazzi, afirmou ontem que até hoje a situação dos aeroportos deve estar normalizada. Zuanazzi condenou o ''clima de terror'' que, segundo ele, coloca em suspeição a segurança dos vôos.
Os problemas começaram anteontem, quando uma pane cortou a comunicação entre os controladores do Cindacta 1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), em Brasília, e os aviões. A falha causou atrasos em um efeito bola-de-neve nos aeroportos do país.
Segundo Zuanazzi, os problemas só ocorreram porque há excesso de segurança no controle do tráfego aéreo. Ele observou que tão logo se identificou a falha do equipamento que controla a radiofrequência de contato das torres com os pilotos, os vôos foram cancelados para se evitar acidentes. ''Os brasileiros não precisam ter medo de voar'', disse.
Segundo o presidente da Anac, a situação deve começar a se normalizar na tarde desta quarta porque há muitos vôos represados. Ele comparou o problema a uma enchente: quando a chuva pára, o nível da água continua alto. ''A partir de amanhã (hoje) os vôos começam a sair no horário normal'', afirmou.
Zuanazzi admitiu que há pontos cegos no espaço aéreo, mas disse que são apenas dois ou três e que não colocam em risco a segurança da aviação brasileira. Ele disse que nos oceanos existem vários pontos escuros fora do alcance dos radares e nem por isso há riscos de se sobrevoar estas áreas.
O comandante do Cindacta 1, coronel-aviador Carlos Vuyk de Aquino, explicou que o problema foi causado por uma falha na ligação entre os sistemas ativo e reserva de frequências de rádio. Os dois operam juntos, totalizando 20 faixas diferentes. Com o defeito, houve redução na capacidade de comunicação para 13, afirmou.
A falha nos equipamentos dificultou o contato entre os controladores e as aeronaves, já que havia menos frequências para o mesmo número de aviões.
Desde o final de outubro, os passageiros têm enfrentado constantes atrasos nos principais aeroportos do país. Inicialmente, os atrasos foram causados pela chamada operação-padrão dos controladores de tráfego aéreo, que, de forma isolada, decidiram aumentar o espaçamento entre as decolagens. O objetivo seria garantir a segurança dos vôos, após o acidente com o Boeing da Gol, que causou a morte dos 154 ocupantes.
O resultado do movimento foi uma sequência de atrasos e cancelamentos de vôos. O setor entrou em colapso na madrugada do último dia 2 de novembro, feriado de Finados. No dia 14 do mesmo mês, véspera do feriado da Proclamação da República, grandes atrasos voltaram a ser registrados nos principais aeroportos do país. Na ocasião, os problemas seriam resultado da falta de controladores no Cindacta 1, em Brasília.
Entre os últimos dias 19 e 20 de novembro, os passageiros enfrentaram transtornos atribuídos, desta vez, à chuva e ao efeito bola-de-neve causado pelo rompimento um cabo de fibra ótica do Cindacta 2 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo) --que coordena o tráfego na região Sul.
PROTESTO Passageiros revoltados com os atrasos e cancelamentos de vôos colocaram narizes de palhaço e promoveram um apitaço na manhã de ontem, no saguão do aeroporto internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília. O terminal é um dos que apresentam maior movimento e atrasos, devido aos cancelamentos feitos ontem. (Folhapress)


