Anac lança guia de segurança de vôo
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quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Agência Estado 
São Paulo- No mesmo dia em que cinco ex-dirigentes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) foram indiciados por atentado contra a segurança do transporte aéreo pelo acidente com o avião da TAM, a agência reguladora lança uma cartilha com dicas para um vôo seguro. A Anac quer agora ajudar pilotos e empresas a trabalharem no gerenciamento de riscos e a aprender com os erros que provocaram acidentes como o do Airbus da TAM, em Congonhas, em julho do ano passado, no qual morreram 199 pessoas.
Um acidente é muito útil para nos ensinar como proceder no futuro, afirmou o gerente de investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos da Anac, Ricardo Senra, à Agência Estado. A entrevista aconteceu horas antes de a polícia anunciar o indiciamento do ex-diretor-presidente da Anac, Milton Zuanazzi, da ex-diretora Denise Abreu, e dos então superintendentes de área da agência Luiz Kazumi, Marcos Santos e Jorge Velozo.
Senra dissociou o lançamento do guia de segurança de vôo da polêmica em torno da responsabilidade da Anac no acidente da TAM. Na semana passada, o promotor do caso, Mário Luiz Sarrubo, já adiantara que integrantes da cúpula da entidade seriam indiciados. Isso não influencia em nada. Nossas campanhas são estratégicas, de longo prazo, disse Senra. Mas admitiu: Adotar as práticas corretas diminui a possibilidade de ter um acidente trágico como o do ano passado.
A cartilha voltada para a aviação geral, ou seja, de aeronaves de pequeno porte, divulgada ontem pela Anac, faz parte de uma investida em prol da segurança. Para o mês que vem, o órgão prepara um seminário nacional sobre os desafios da segurança de vôo, no Rio. Outros sete eventos sobre o assunto estão previstos para 2009, um em cada gerência regional da agência no Brasil.
A aviação comercial deve ganhar um guia de segurança semelhante ao lançado ontem ainda no primeiro semestre do ano que vem, adiantou Senra. O material já está em produção. Vamos focar nos processos da empresa, para que seja repassado aos tripulantes.
O gerente explica que a Anac quer estimular a transição de um modelo de aviação prescritivo para outro de gerenciamento de riscos. No prescritivo você só segue o regulamento, mas isso não basta, afirmou Senra. E fez uma referência indireta ao acidente da TAM ao dar um exemplo de gerenciamento de risco: Se a pista está mais curta do que seria normalmente, você vai colocar menos peso na aeronave ou um piloto mais experiente para operar naquele aeroporto. Na noite de 17 de julho de 2007, o Airbus A320 varou a pista de Congonhas.


