Brasília- Depois de reunião com o ministro da Defesa, Waldir Pires, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e a Empresa Brasileira de Infra-estrutra Aeroportuária (Infraero) decidiram entrar com três ações no Tribunal Regional Federal de São Paulo, para tentar reverter a decisão do juiz substituto da 22 Vara Cível Federal de São Paulo, Ronald Carvalho Filho, que proibiu a partir da zero hora desta quinta-feira qualquer vôo no aeroporto de Congonhas feitos em aviões Fokker 100, Boeing 737-700 e Boeing 737-800.
Com os recursos, o governo espera suspender ou pelo menos reduzir as restrições impostas pelo juiz para que estas aeronaves possam operar, pelo menos, quando não estiver chovendo e a pista estiver seca. Caso a decisão não seja alterada, pelo menos 10 mil passageiros, somente em Congonhas, serão diretamente prejudicados.
Os vôos proibidos pelo juiz representam 42% do movimento diário do aeroporto de Congonhas, que é de 629 pousos e decolagens, transportando 60 mil passageiros. Com isso, 265 vôos deixarão de ser realizados em Congonhas. Destes 265 vôos suspensos diariamente, o aeroporto de Guarulhos tem capacidade de receber apenas 20%, ou seja, 126 vôos. Outros 12 vôos, 2%, poderão ser absorvidos por Viracopos, em Campinas. A Anac e a Infraero ainda não têm uma solução para o que fará com os 10 mil passageiros dos outros 78% de vôos que terão de sair de Congonhas. Isto significa que o governo terá de remanejar para outros aeroportos 127 vôos.
''As áreas técnicas estão trabalhando alternativas'', disse a diretora da Anac, Denise Abreu. Ela admitiu, no entanto, que poderá haver transporte de passageiros dos vôos para outras cidades em ônibus, para que eles possam chegar aos seus destinos. Sendo assim, por exemplo, um passageiro de São Paulo para Salvador, seguiria para o Rio de Janeiro de ônibus e, de lá, voaria para Salvador. ''É uma alternativa que o Poder Judiciário está nos impondo se não revogar a decisão'', justificou Denise Abreu.
''Acredito na solução do Poder Judiciário'', declarou o brigadeiro José Carlos Pereira, presidente da Infraero, ao ser questionado sobre o caos que será implantado nos aeroportos nos próximos dias e, principalmente, no Carnaval, se a medida do juiz paulista não for revogada.
Depois de reiterar que decisão da Justiça se, for mantida, será cumprida, o presidente da Infraero classificou de ''tecnicamente frágil'' as argumentações do juiz. Segundo José Carlos, o juiz suspendeu todas as operações em Congonhas com o Fokker 100 e os Boeings 737-700 e 800, mesmo quando não há chuva e a pista está seca, apesar de o próprio magistrado reconhecer que o problema ocorre por causa da pista molhada.
A diretora da ANAC, Denise Abreu, espera e acredita que a solução para as ações saiam em 24 horas. Ela pediu que os passageiros que já compraram passagem para estes dias e o Carnaval ''aguardem um pouco''.

mockup