A desempregada Ana Paula Gonçalves, 24 anos, que mora em Londrina, descobriu que tinha linfoma há cerca de um ano. ''Eu estava a princípio com inchaços no pescoço. Depois, apareceram outros, na virilha e no tórax. Além disso, eu estava sempre cansada, sem apetite. Procurei um médico e 25 dias depois foi confirmado que eu tinha a doença'', lembra ela. ''Parecia que o mundo tinha caído''.
O linfoma mudou radicalmente a vida de Ana Paula. Ela teve que desistir das aulas de dança quando faltavam apenas dois meses para concluir o curso. Foi obrigada a parar de trabalhar. E ainda sentiu a falta de solidariedade de parentes e amigos. ''A maioria deles sumiu. Acho que pensaram que minha doença era contagiosa'', diz a jovem.
Os dissabores provocados pelos ciclos de quimioterapia são um peso a mais. Ana Paula afirma que por vezes sente náusea ao comer (''por isso, cheguei a emagrecer 15 quilos'') e arrepios. A queda de cabelo foi outro trauma. ''Foi difícil. Eu tinha um cabelo enorme'', recorda.
Hoje, passados os dolorosos primeiros meses da doença, Ana Paula tem o conforto da perspectiva da cura. ''Eu nunca tinha ouvido falar de linfoma. Fiquei muito abatida no início, mas decidi encarar a situação'', comenta. Hoje, ela presta serviços voluntários no Hospital Universitário (HU): ajuda outros portadores de câncer. ''Com a doença aprendi a dar mais valor à vida. No HU, eu vejo pessoas que sei que não vão sobreviver. E são essas que mais precisam de atenção'', conclui.

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