Amyr Klink encara desafios na Regata do Descobrimento14/Mar, 19:06 Por Julio Cruz Neto Ilha da Madeira, 14 (AE) - Para quem já ficou 100 dias num barco a remo atravessando o Oceano Atlântico e 22 meses num veleiro para atracar nas geleiras da Antártida, percorrer a rota do descobrimento é uma brincadeira. Mas mesmo numa viagem tranquila como essa, de um mês e meio, Amyr Klink encontra desafios. Consegue superá-los e depois conta tudo com um orgulho de iniciante. "Adorei a largada", disse ele ontem, ainda dentro do seu barco, o Paratii: "Foi emocionante. Eu nunca tinha manobrado com tão curto espaço. Se batesse em outro barco ali, o outro afundava. O meu é feito para bater em gelo." Ao contrário de muitos outros participantes da Regata do Descobrimento, que usaram motor na largada, Amyr fez tudo à base de vela. Os barcos estavam mesmo bem próximos uns dos outros enquanto desfilavam no rio Tejo, em Lisboa. Amyr Klink já cansou de passar meses e meses solitário num barco, mas não é do tipo introspectivo, que não gosta de falar com ninguém e tem sociofobia - ontem, até participou de uma espécie de romaria que saiu da Marina de Funchal (Ilha da Madeira) e terminou na Capela de Santa Catarina, onde foi celebrada uma missa em homenagem aos participantes da Regata. Aqui, Amyr está acompanhado por Marcos Hurodovich, Jamil Aun e Fábio Tozzi, sua pequena tripulação: "Uma viagem comemorativa como essa não tem graça fazer sozinho. É uma prova bonita, com um significado histórico e é gostoso estar com uma tripulação para fazer o barco andar no limite, retardar mais as manobras, passar mais perto das ilhas..." Olha ele aí, procurando desafios de novo. Amyr acha muito perigoso viajar sozinho no Atlântico Norte, por ter muito trânsito: "Enxergar outros barcos no mar é um pesadelo, um estresse terrível." Na parte sul do oceano, diz ele, vê-se bem menos barcos velejando. Embora esteja curtindo seguir os rastros de Pedro álvares Cabral acompanhado, Amyr não acha que essa seja sempre a melhor opção: "Para velejar seis meses, prefiro ir sozinho." Não deve ser fácil ter a mesma companhia por tanto tempo num barco. Mas voltemos aos novos desafios. Amyr agora está se divertindo com o mastro Aerorig que colocou no Paratii, feito de fibra de carbono e mais fácil de manusear, por ter um só cabo de comando para as duas velas: "Com esse mastro, fico o dia inteiro ziguezagueando sem usar o motor. Giro a 360 graus a qualquer instante. É prático, mas ao mesmo tempo é técnico. Tem vários macetes de regulagem que fazem uma bruta diferença. Sinto o mesmo prazer que tem os grandes navegadores do Brasil, como o Alex (Welter) e o Torben (Grael)." De Lisboa até Funchal, Amyr conta que usou o motor por 20 horas para compensar a falta de vento - ele pode porque não compete na regata. Mas conta que daqui em diante pretende usar apenas as velas, mesmo nos Doldrums, a região próxima à linha do Equador onde predominam as calmarias. E depois de chegar ao Brasil, não pretende aposentar o Paratii como foi dito recentemente. Quando o Paratii 2 estiver pronto, Amyr pode até liberar o 'primogênito', de 11 anos, para projetos alheios, como para acompanhar nadadores em longos desafios. Mas tirar da água, não: "Prefiro ele no fundo do mar que num museu. Seria a morte." Por fim, outro desafio à vista. Amyr Klink diz que está tentando convencer o alpinista Waldemar Niclevicz, que em junho tentará escalar o monte K2 pela terceira vez, a fazer expedições conjuntas. Eles iriam de barco até alguma montanha que termine na água e subiriam juntos. Navegar é preciso, escalar é preciso... Desafiar é preciso.

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