Ampliar exportações deve ser principal meta, dizem economistas
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terça-feira, 07 de setembro de 1999
Por Denise Neumann 
São Paulo, 8 (AE) - O desenvolvimento não é uma tarefa exclusiva do ministério que leva este nome, segundo os economistas Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central, e Antônio Côrrea de Lacerda, diretor de economia da Siemens. Para os dois, a principal preocupação do Ministério do Desenvolvimento deve ser a ampliação das exportações.
"Não dá para esperar do Ministério do Desenvolvimento o que ele não tem para dar", avaliou Loyola. Ele diz que a parte que toca à pasta que agora será comandada por Alcides Tápias, ex-presidente da Construtora Camargo Côrrea, está relacionada especialmente à recuperação da capacidade de exportação e de redução do chamado custo Brasil. "Mas os outros ministérios também possuem responsabilidades sobre aspectos fundamentais para a retomada do crescimento", acrescentou.
Entres estas responsabilidades, Loyola destacou a reforma tributária (cuja responsabilidade é do Ministério da Fazenda); o desenvolimento do mercado de capitais (que depende do Banco Centra e também do Ministério da Fazenda) e a alteração da legislação trabalhista (que é tarefa do Ministério do Trabalho).
Lacerda diz que o Ministério do Desenvolvimento precisa coordenar as ações que hoje estão dispersas em diferentes secretarias e órgãos do governo. "Uma política mais agressiva de exportações é fundamental", defende Lacerda. Ele lembra que o Brasil já teve uma participação de 1,5% do mercado mundial e hoje é responsável por apenas 0,9%.
Para Loyola, Alcides Tápias é um "excelente nome" porque conhece tanto o lado real das empresas como o mercado financeiro. Lacerda destacou que Tápias é "tradicionalmente ligado à iniciativa privada e é um executivo bem sucedido" que deverá levar essa experiência do setorprivado para o governo.
Para Lacerda, há um falso debate que opõe desenvolvimentistas e monetaristas. O crescimento, destacou, não é incompatível com uma política que preserve a estabilidade. Tápias, segundo ele, é capaz de articular diversas áreas do Ministério que hoje operam com exportações e com isso trazer maior dinamismo para a pasta que vai comandar.


