Pequim (AE-AP) - Uma ampla investigação sobre contrabando num porto ao sudeste da China tornou-se o maior escândalo sobre corrupção no país, criando preocupações na liderança comunista e implicando a esposa de um antigo líder.
Dezenas de funcionários estão sob suspeita no caso que envolve o contrabando de bilhões de dólares em petróleo, carros, cigarros e outros bens através de Xiamen, e tornou-se um teste para a resolução do presidente Jiang Zemin de lutar contra a corrupção no governo.
Mais de 700 investigadores, entre policiais e auditores, vêm ocupando dois hotéis em Xiamen há meses. De acordo com os informantes, um membro do círculo interno do partido comunista está inspecionando a investigação e revisando diariamente os relatórios enviados de Xiamen a Pequim.
Os líderes chineses têm boas razões para ficar preocupados. Protestos frequentes de agricultores e trabalhadores por todo o país nos últimos anos têm tido como alvo rotineiro a perceptível corrupção dos políticos comunistas locais, deixando a credibilidade do partido bastante corroída.
Jiang trava uma batalha para deixar no governo a marca de sua administração. Ele começou uma campanha no ano passado para ensinar ética aos seus funcionários.
Na semana passada, Jiang disse aos investigadores do partido que oficiais corruptos precisam ser "punidos sem piedade, independentemente do quão alto sejam seus postos ou quão famosos sejam os criminosos".
Os investigadores descobriram uma teia de corporações e funcionários envolvidos com contrabando de bens importados através de Xiamen, um movimentado porto no estreito de Taiwan. Antigamente denominada Amoy, a cidade era um porto-chave no comércio de ópio e um local seguro para piratas. Hoje, há uma forte presença militar devido à proximidade com Taiwan.
Entre os detidos está Lin Youfang, esposa de Jia Qinglin, secretário do partido em Pequim, protegido de Jiang e membro do poderoso Politburo, disse um dos funcionários públicos informantes, que não quis se identificar. Não se sabe onde ela está sendo mantida.
Lin era uma executiva da Fujian Province Import and Export Co., a firma de comércio provincial do governo. O contrabando foi realizado por anos, diz um dos funcionários. Parte deste tempo, Jia comandou o partido comunista.
Jiang e Jia se conhecem desde que eram burocratas no ministério de fabricação de máquinas, há quase 40 anos. E Jinang escolheu Jia para administrar Pequim há três anos, depois que o secretário do partido e outros oficiais de elite foram presos por suborno e outros desmandos.
Apesar da probabilidade de Jiang não ser afetado pelo escândalo de Xiamen, o impacto sobre a imagem de Jia ainda não está claro. Segundo um dos informantes, ele divorciou-se de sua esposa na surdina no último mês.
Censores do partido ordenaram a não divulgação de notícias sobre o caso, mantendo-o longe da mídia estatal. Mas o assunto é amplamente comentado pelos meios de comunicação de Hong Kong e web sites chineses. De acordo com os funcionários informantes, o governo está se preparando para iniciar uma investigação.
Os resultados do inquérito podem destruir uma parte considerável das prósperas fileiras do partido. Dois vice-prefeitos de Xiamen estão sob investigação e o chefe da alfândega da cidade já foi detido e levado algemado a Pequim.
Apesar de desconhecerem o total dos valores dos bens contrabandeados, os funcionários acreditam que o caso de Xiamen é o maior escândalo envolvendo corrupção na China, muito pior do que a rede de contrabando descoberta no ano passado no porto sulista de Zhanjiang, cujos dados já são conhecidos.
O Ming Pao, um respeitado jornal de Hong Kong, publicou que o caso de Xiamen envolve cifras que chegam a US$ 9,5 bilhões em produtos contrabandeados.
Os líderes chineses ordenaram uma tomada de posição a respeito de contrabando há 18 meses, a fim de frear as perdas ao tesouro e diminuir a corrupção. Em vez de drogas ou armas, os contrabandistas chineses ocupam-se com produtos industrializados e bens de consumo, tentando ganhar dinheiro esquivando-se das altas tarifas que protegem as indústrias estatais.
Além dos membros do partido, militares e policiais também foram pegos no comércio ilegal, alguns dos quais trabalhavam com operações anti-contrabando. Um ano atrás, as autoridades detiveram o vice-ministro da segurança pública, Li Jizhou, o mais antigo oficial de polícia responsável pelo combate ao contrabando na China. Seu caso continua sob investigação, dizem os informantes.

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