A extinção dos juízes classistas que atuam na Justiça do Trabalho e sua posterior substituição por juízes togados está sendo defendida pelas entidades que representam os magistrados no país e do Paraná. Segundo o presidente da Associação dos Magistrados do Paraná (AMP), Ruy Fernando de Oliveira, essa proposta vai ser debatida durante a Semana de Mobilização pela Cidadania e Justiça da categoria, que acontece entre 24 e 31 de março em todo o país. ‘‘Eles não representam poder jurisdicional, apenas opinam como se tivessem formação e recebem bons salários’’, diz.
Para o presidente da AMP, a discussão da reforma judiciária se faz importante, porém de forma diferente da realizada pelo presidente do Senado Federal, senador Antonio Carlos Magalhães. ‘‘Não se recusa a reforma, mas existe necessidade de discussões corretas das propostas. Essa é uma oportunidade rara e as discussões poderiam ser melhor encaminhadas’’, alerta.
Para Oliveira, a ameaça de fechamento da Justiça de Trabalho feito pelo presidente do Senado, em caso de aprovação da indexação salarial, é simplesmente uma ‘‘atitude autoritária’’. ‘‘Demoramos 40 anos para implantar a Justiça do Trabalho’’, afirma.
O presidente da AMP também é contra a instalação de uma CPI para investigar o poder judiciário. Ele alega que não existe fato que justifique a instalação de tal instrumento, que serviria apenas para ‘‘acabar com a instituição.’’ ‘‘Existem mazelas no poder judiciário, mas qual poder não tem?’’, pergunta.
Dentro desta ótica, os magistrados de todo o país devem divulgar manifesto no final do evento para ‘‘esclarecer à sociedade a situação do país e as agressões que vem atingindo o poder judiciário.’’ Entre os principais pontos que vão ser analisados estão a morosidade da Justiça, nepotismo nos tribunais, extinção dos juízes classistas, unificação do Tribunal de Justiça com o Tribunal de Alçada e ampliação dos juizados especiais.

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