AMP apóia a Reforma Agrária
Prefeitos do interior do Paraná são os maiores interessados em acelerar a reforma agrária no Estado. O objetivo é fazer com que os assentamentos evitem o crescente empobrecimento de pequenos municípios com a perda de população para outros Estados ou grandes centros urbanos. As afirmações são do presidente da Associação dos Municípios do Paraná, Same Saab, prefeito de Iretama.
Segundo ele, a reforma agrária municipalizada pode reverter os problemas econômicos e sociais de grande parte do interior. ‘‘No Paraná, 178 municípios terão queda nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios porque perderam até 30% de suas populações nos últimos anos. Acabar com essa evasão do interior precisa ser uma questão emergencial’’, disse.
Entre 1985 e 1996, anos dos dois últimos sensos agrícolas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram extintas 50 mil pequenas propriedades rurais no Estado. Sem linhas de crédito e condições de produzir, os agricultores familiares vendem seus sítios para tentar viver nos grandes centros urbanos.
Em Iretama já foi inaugurado um assentamento municipal. ‘‘Essa é a primeira experiência de municipalização da reforma agrária no Paraná, onde fizemos a seleção das famílias e indicamos a área para o Incra desapropriar’’. No dia 24 de julho foram assentadas 40 famílias em 217 alqueires. Os assentados eram arrendatários ou meeiros de áreas rurais no próprio município. ‘‘A aceitação ao assentamento foi tão grande que nós conseguimos 15 tratores emprestados de fazendeiros locais para preparar a terra dos novos assentados’’, conta Saab.
O prefeito está desenvolvendo o segundo projeto municipal de assentamento agrícola. Nesse caso serão assentados 50 jovens solteiros em uma área de 400 alqueires. Nada menos do que 137 jovens se inscreveram para participar do assentamento. A única exigência é ter escolaridade mínima até o segundo grau completo. O treinamento será na Embrapa e em Israel.
Uma das propostas do superintendente do Incra no Paraná, José Carlos de Araujo Vieira, para acelerar os assentamentos no Estado a partir do próximo ano é envolver os prefeitos. Ele acredita que existam 100 municípios com potencial para assentar 100 famílias cada um no Paraná. Se isso acontecesse, seria atendida a demanda de 9.000 famílias de sem-terra que esperam por desapropriações em acampamentos improvisados hoje. (E.C.)

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