Uma escola que atendesse às necessidades de Patrícia foi outra etapa difícil a ser vencida por Geraldina Faust Ló. Até os três anos a menina foi atendida em uma instituição especializada, que ameaçou processar Geraldina caso ela divulgasse o nome. Depois outras crianças foram cortadas da escola por não apresentarem nenhum progresso.
Geraldina ainda lembra da cena: várias mães sentadas na frente da escola com seus filhos nos braços sem saber para onde ir. Indignada com a situação ela incentivou aquelas mulheres a buscarem seus direitos. ‘‘Eu e mais oito mulheres fomos até a Legião Brasileira de Assistência (LBA) e para surpresa nossa descobrimos que nossos filhos ainda estavam inscritos naquela escola’’, conta. ‘‘A instituição os mantinha inscritos para continuar recebendo do Governo como se eles fossem atendidos lᒒ.
A diretora argumentou que ‘‘era difícil conseguir dinheiro do Governo e esta era uma maneira de conseguir um pouco mais’’. ‘‘Fiquei horrorizada’’, lembra. Foi no Instituto dos Cegos que Geraldina conseguiu atendimento para a filha. ‘‘Eles foram maravilhosos. Tratavam muito bem a Patrícia e ajudaram no que puderam’’, lembra.
As dificuldades foram muitas, mas Geraldina afirma que encontrou também profissionais muito bons, que reconheceram que mesmo uma criança com tantas deficiências poderia sobreviver. Depois de examinar Patrícia, um profissional ficou impressionado com os progressos da garota. ‘‘Ele me falou que era impossível uma criança com suas deficiências conseguir aqueles avanços e que só o nosso amor possibilitou isto’’, lembra. ‘‘Eu esperei 11 anos para ouvir palavras gratificantes de um profissional.’’
A menina que teria uma vida vegetativa e que não passaria dos três meses de vida aprendeu a reconhecer os objetos da caixa de estimulação da escola; a apontar para um entre dois objetos e identificá-lo segundo a solicitação; a dominar conceitos de cores, tamanhos e formas geométricas; a escolher a música de sua preferência; a conhecer seu corpo; a reagir diante daquilo que não gostava, entre muitos outros avanços.
Patrícia desafiou o prognóstico de morte precoce e viveu durante 11 anos. Segundo Geraldina, o segredo foi o amor que a família toda dedicou a ela. (E.P.)

mockup