Amop não apóia a proposta
Paulo Pegoraro
De Cascavel
Fazendeiros de Catanduvas (50 quilômetros ao sul de Cascavel) e o prefeito Olímpio de Moura (PMDB) querem que a Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (Amop) discuta a idéia, já aprovada naquele município, de criação de uma milícia armada ou guarda municipal. A função da guarda seria de proteger propriedades contra invasão por sem-terra e atuar em reintegrações de posse como força auxiliar da Polícia Militar (PM).
O presidente da Amop, Salazar Barreiros (PPB), prefeito de Cascavel, disse ontem à Folha de Londrina/Folha do Paraná que a proposta não se enquadra em qualquer dispositivo legal e sugere que os fazendeiros se preparem para eles próprios defenderem suas propriedades.
Os proprietários rurais e o prefeito de Catanduvas não conseguiram estabelecer diferenciação para a força que decidiram constituir em encontro realizado anteontem. O encontro foi motivado por uma invasão nos limites de três fazendas, que seriam produtivas, por cerca de 150 famílias de sem-terra. Legalmente, a guarda municipal, permitida pela Constituição Brasileira, só pode atuar na proteção ao patrimônio público e desarmada, enquanto a constituição de milícia armada é crime.
Mesmo assim, Olímpio de Moura diz ter pareceres de advogados indicando que é possível constituir uma força para atuar quando o Estado não garante a segurança pública e que a Justiça poderia requisitá-la para apoiar a PM em reintegrações de posse.
Os fazendeiros e o prefeito, que discutem agora a forma de viabilizar a força, acham que a Amop poderia encampar a idéia e disseminá-la entre os municípios da região. Salazar Barreiros, que também é fazendeiro e advogado, faz várias contestações, começando pelo aspecto legal e chegando ao prático: a PM estima que, para qualquer ação contra sem-terra, há necessidade de empregar efetivo superior ao deles para que não haja reação que torne de alto risco a operação; na região Oeste do Estado, em média as invasões coordenadas pelo MST são feitas por mais de quinhentas famílias.
Imagine o número de integrantes necessário para a tal guarda e o volume de recursos para mantê-la, questiona Salazar. Por estes e outros motivos, o presidente da Amop entende que a iniciativa de Catanduvas talvez funcione como pressão psicológica sobre o governo do Estado, para o cumprimento de ordens judiciais.
Salazar Barreiros considera muito mais lógico estimular os fazendeiros a se organizar para a legítima defesa das propriedades e pronta reação no momento de tentativas de invasão. Neste caso, diz o prefeito, é legítimo o uso da força. Mas ele ressalva que os peões que fossem armados pelos fazendeiros deveriam ter porte de arma, cuja concessão é bastante rigorosa, e não permitida por exemplo para grosso calibre. Salazar Barreiros garante que, em suas fazendas, em Cascavel e no Mato Grosso, não tem homens armados.





