Amizade reduz o sofrimento da distância
Israel Vaneli, 24 anos, era motorista em Curitiba. Salário? R$ 300. Na América, há dois anos ele é carpinteiro. Ganha US$ 600 por semana. Veio no embalo da prima que disse que o negócio é fantástico. Deslumbrado com o que viu, quer ficar aqui para sempre.
Leonardo Rainato, 20 anos, é de São Pedro do Ivaí. Era auxiliar de contabilidade da prefeitura da cidade. Salário? R$ 160 por mês. Na América há um ano e meio fatura como pintor US$ 700 por semana. ‘‘No inverno faço menos, mas já economizei 10 mil dólares trabalhando 11 horas por dia’’. O pai, seu Agostinho, também veio na onda, mas fica só no verão. Assim que o frio aparece ele volta com o bolso cheio para o Brasil.
Rogério Morgante, 19 anos, é de Mandaguari e chegou há dois meses. No Brasil estava cansado de procurar emprego. Aqui virou carpinteiro sem nunca ter usado um martelo antes. Trabalha duro e fatura como os amigos US$ 600 a cada 7 dias.
Por enquanto eles estão aprendendo inglês no dia-a-dia com os americanos. Israel é o único que consegue ir para a escola regularmente. Os três viraram companheiros e participam de um grupo de jovens que se reúne todos os sábados na igreja da cidade. ‘‘É aqui que a gente vem ter um pouco de calor humano, carinho’’, diz Israel, reclamando da frieza dos americanos.
Leonardo já parte para o sentimental. ‘‘Namorar americana é impossível e as brasileiras preferem eles porque sonham com um greencard’’, reclama. Rogério, o mais novo, sente saudades do churrasco, da família e dos amigos.(G.S. e M.U.)

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