Amizade de FHC com Lagos deve impulsionar comércio Brasil-Chile9/Mar, 20:27 Por Mônica Gugliano São Paulo, 09 (AE) - A amizade do presidente Fernando Henrique Cardoso com o chileno Ricardo Lagos, que assume a presidência de seu país no sábado (11), deverá dar um impulso ao intercâmbio político e econômico entre Brasil e Chile. Há um ano no posto, o embaixador chileno Juan Martabit observa que brasileiros e chilenos têm cultivado fortes laços. "Os dois presidentes são amigos e têm uma visão semelhante em relação aos principais problemas que afetam nosso continente, e isso fortalece o diálogo", afirmou Martabit. Fernando Henrique chega amanhã (10) à tarde a Santiago, onde participa das solenidades de despedida do presidente Eduardo Frei e, no sábado (11), da posse do socialista Ricardo Lagos. Depois de vencer por uma pequena margem de votos o conservador Joaquín Lavín, Lagos terá entre seus principais desafios consolidar a democracia. "Ainda temos muito para aperfeiçoar em nossas instituições democráticas", admitiu o embaixador, lembrando que um dos principais problemas do novo governo será assegurar as condições para o julgamento do ex-ditador Augusto Pinochet. Exportações - O Chile está em 12.º lugar entre os países para os quais o Brasil mais exporta. No ano passado, embora o Brasil ainda tenha mantido superávit na relação comercial com o país, as exportações caíram 12,5% em relação a 1998, passando de U$ 1,024 bilhão para US$ 896 milhões. "Nossa expectativa é de que aumentem o intercâmbio e os investimentos privados de chilenos no Brasil", diz o embaixador. De acordo com ele, a prioridade de Lagos é acelerar as negociações para a adesão do Chile ao Mercosul. O Chile já participa das reuniões, mas ainda não pertence formalmente ao bloco. A expectativa do governo brasileiro, segundo o Itamaraty, é igual. "Esperamos para muito em breve concluir os acertos entre todos os membros do Mercosul com o Chile", comentou um diplomata brasileiro. Gratidão - Para Fernando Henrique, voltar ao Chile, país que visitou várias vezes desde que assumiu a Presidência da República, é sempre um momento especial. Em 1964, auto-exilado, Fernando Henrique trabalhou em Santiago, onde exerceu o cargo de diretor-adjunto da Divisão Social do Instituto Latino-Americano de Planejamento Econômico e Social (Cepal). Com a família, passou quatro anos no país. "Sempre que vou ao Chile, mato as saudades", comentou o presidente. Além de amigo de Lagos, Fernando Henrique tem "gratidão" pelo país que o acolheu. O presidente costuma recordar com emoção os anos que passou com Ruth Cardoso e seus filhos, em Santiago, dizendo que a hospitalidade e o carinho dos chilenos ajudaram a tornar esse período menos difícil. Em 1996, durante um jantar no Itamaraty em homenagem ao presidente chileno Eduardo Frei, Fernando Henrique afirmou que considerava o país "um segundo lar". "Tenho pelo Chile uma enorme gratidão, uma dívida de amizade."

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