Amina Lawal, 30 anos, pode morrer apedrejada
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segunda-feira, 05 de agosto de 2002
Agência EFE 
Lagos - O procurador que atua no recurso apresentado pela jovem nigeriana Amina Lawal contra a pena de morte por apedrejamento a que foi condenada este ano por ter engravidado mesmo sendo divorciada insistiu em pedir ontem que a mulher seja executada.
Amina, de 30 anos, foi condenada em março à pena capital depois de ser considerada culpada por ''adultério'', segundo a ''sharia'' ou a lei islâmica, que vigora em 12 dos 18 estados do norte nigeriano, mas em 3 de junho foi posta em liberdade pelo tribunal para que pudesse cuidar da filha, Wasila.
Os juízes disseram que, embora a sentença seja eventualmente ratificada, ela não será cumprida até janeiro de 2004.
A Procuradoria afirma que o veredito emitido em primeira instância não tem ''erros legais'' e não contradiz os postulados da ''sharia'', tal como indicam os advogados de defesa de Amina, que, por sua vez, disseram-se ''otimistas e confiantes'' de que a causa seja encerrada.
A mulher foi condenada à morte depois de admitir que tinha engravidado depois de se divorciar. Se fosse solteira, o ''delito'' teria sido de ''fornicação'', passível de punição com cem chicotadas pelas leis islâmicas.
A revisão do caso, que é feita no tribunal islâmico de apelação de Funtua, no norte da Nigéria, foi adiada até o dia 19, quando as autoridades judiciais ratificarão ou anularão a sentença.
Amina Lawal é a segunda nigeriana condenada à morte por apedrejamento pela acusação de adultério desde que a ''sharia'' foi imposta há mais de três anos no norte da Nigéria.
Safiya Husaini, cujo caso foi tomado como antecedente pelos advogados de Amina, recorreu da sentença e foi posta em liberdade, precisamente no mesmo dia em que esta última era condenada à morte por apedrejamento.
A pena capital prevista pela lei islâmica para os adúlteros é cumprida enterrando até o pescoço (ou até as axilas no caso das mulheres) o condenado, que depois é apedrejado até morrer.
A introdução da ''sharia'' em 1999 no norte da Nigéria, onde os muçulmanos são maioria, provocou uma série de sangrentos confrontos entre estes e os cristãos da região, que causaram a morte de milhares de pessoas e obrigaram o Governo a declarar estado de emergência e enviar tropas à área.


