Florianópolis, 30 (AE) - O governador de Santa Catarina e presidente de honra do PPB, Esperidião Amin, acha que o PFL vai acabar votando com o governo pelo salário mínimo de R$ 151,00. "Ou se diz qual é a fonte para um salário maior ou vota com o governo; o mais é discurso", disse ele hoje. Para o governador, a sugestão de transferência da data-base do salário mínimo para janeiro é um desdobramento "racional" do debate, desde que o mínimo seja colocado como prioridade no orçamento de 2001.
Amanhã (31), Amin recebe o presidente Fernando Henrique Cardoso, na cerimônia de inauguração do trecho sul do Gasoduto Brasil-Bolívia, em Biguaçu. O governador deixa claro que o PPB vota com o governo, embora "por falta de opção prática". Para o governador, tanto o valor reivindicado pelo PFL, de R$ 177,00, quanto a proposta do governo mostram a "vergonhosa" desigualdade existente no País. Mas alega que as lideranças nacionais estão diante da armadilha da vinculação do salário-mínimo aos benefícios previdenciários.
Amin avalia que a defesa feita pelo PFL de um salário mínimo de U$ 100 é uma bandeira legítima. "É importante o PFL vincular-se a uma luta social", afirmou o governador. "Mas para ter resultado eleitoral, é preciso sustentar a bandeira." Para isso, ele sugere que os partidos deixem de lado interesses paroquiais e partam para uma solução.
"Essa sugestão do PFL, do senador Jorge Borhausen (SC), de jogar para primeiro de janeiro, já é desdobramento racional; antes de fazer o orçamento 2001 já se diz de onde vai sair o dinheiro", disse o governador. Ele propõe que o salário mínimo seja a prioridade na elaboração da peça orçamentária. "As emendas para a Bahia, Santa Catarina, para as estradas, passam a ser as segundas e terceiras prioridades", sugeriu. "Aí você pode estar invertendo as razões pelas quais se chegou a este patamar de desigualdades", acredita.
Amin argumenta que, no orçamento deste ano, não há recursos, e afirmou que não há quem esteja disposto a abrir mão de emendas. "Pergunta se Carlos Meres (deputado do PFL, relator da comissão mista de orçamento) quer tirar R$ 8 bilhões do orçamento, se ele tem como tirar; já tá tudo dividido, há as emendas dos deputados", afirmou Amin. "Pergunta aos deputados do PFL se eles abrem mão das emendas."
Gasoduto - O presidente Fernando Henrique chega a Florianópolis, pela manhã, deslocando-se imediatamente para Biguaçu, onde não deve permanecer por mais de uma hora. A segurança deverá ser reforçada para evitar constrangimentos, como o que teve de enfrentar em Mossoró. Estrategicamente, foi adiado um encontro com empresários catarinenses. O local da inauguração, por outro lado, é de difícil acesso de eventuais manifestantes. A CUT em Santa Catarina não havia programado, pelo menos até a tarde, ato público.
O presidente vai inaugurar o último trecho (Campinas-Porto Alegre) do gasoduto, um dos maiores projetos do programa do governo federal, o Avança Brasil. A partir da conclusão do trecho, o gasoduto, construído no Brasil pela Petrobras, completa o traçado de 3.150 quilômetros, fornecendo cinco milhões de metros cúbicos de gás natural por dia para São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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