Recife, 11 (AE) - José Miguel dos Santos Fonseca Júnior, o Juninho, era o que se pode chamar de uma unanimidade. Elogiado e querido por todos os que o conheciam, era considerado estudioso, inteligente, responsável, educado, calmo, amoroso e bom companheiro nos jogos de bola, dominó e botão. Sua morte, dramática, no domingo à noite, é o principal assunto do bairro popular da Linha do Tiro, zona norte do Recife, onde morava. A escola Conviver, onde o garoto estudava, decretou luto por quatro dias e só reabre quinta-feira.
Amigos do menino e de sua família não se conformam com o ocorrido e se mostram revoltados com o dono do Circo Vostok, Alexandre Vostok, que apontam como o grande vilão da história. "Foi imprudência, falta de responsabilidade de quem dirige o circo", acusou a professora de Inglês de Juninho, Jádna Maria Barbosa da Silva. "Espero que se faça justiça e que não se coloque toda a culpa num bode expiatório qualquer".
Colegas do menino ainda não conseguem acreditar nem entender a sua morte. "Quando me disseram que um leão comeu Juninho pensei que fosse brincadeira", contou José Roberto da Silva Sobrinho, vizinho da vítoma. "Parecia a história daquele filme A Sombra e a Escuridão, que tem dois leões assassinos e que a gente assistiu junto no vídeo", complementou Pedro Tavares, outro vizinho.
"A diferença maior é que o filme se passava na áfrica e há muitas décadas atrás", observou Gease Teodósio de Oliveira, pai de Jéssica, de seis anos, "namorada" de Juninho. "E ele foi atacado e morto por leões em plena cidade, em um shopping center, o que é inaceitável", disse. "Todos ficamos horrorizados", comentou Ladjane Tavares da Silva, mãe de Raí, outro amigo de Juninho. "Ele chamava a atenção porque era educadíssimo, aprendeu a ler e a escrever antes de todo mundo e já falava inglês". Nem por isso, Juninho era exibido ou esnobe. Um tanto tímido, de acordo com a diretora da escola, Jacilane Carlos, ele não discriminava ninguém e se dava bem com todos. Fláubia Ramos Bezerra, vizinha de Juninho e mãe de dois filhos, acrescentou que a morte do menino ainda trouxe mais insegurança a todos os pais. "A gente já não sai direito de casa com medo de assalto e estupro, agora não pode mais confiar de levar as crianças para uma diversão".
Circo - Jansen Dantas da Silva e Pedro Tavares estavam jogando bola com Juninho quando o pai da criança, o garçon desempregado José Miguel dos Santos Fonseca, chegou para buscá-lo para ir ao circo, satisfazendo um pedido seu. "Ele ficou bem feliz, saiu correndo dizendo oba e disse que na volta a gente brincava mais", contou Jansen.
Os pais de Juninho estão separados há dois anos, mas se mantiveram amigos. Juninho estava com o pai, a irmã Mirela, de três anos, e um primo quando foi atacado pelo leão Bongo, quando passava junto à jaula recém-armada no picadeiro do circo. O leão o agarrou com a pata e o puxou para dentro da jaula. Neste momento, segundo seu pai, ele ainda não demonstrava medo e, inocente, disse "ai, painho", com um sorriso nos lábios como se estivesse sendo alvo de uma brincadeira do leão.
Dentro da jaula, um outro leão, Paxá, também atacou o menino, que teve o braço direito decepado, o pescoço quebrado e mordidas por todo o corpo. Suas vísceras ficaram expostas.

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