São Paulo, 18 (AE) - Amigos e colegas do escritor e dramaturgo Dias Gomes lamentam perda e ressaltam seu compromisso social. Ferreira Gullar, poeta e dramaturgo - "Sem dúvida alguma Dias Gomes foi um dos maiores dramaturgos de todos os tempos. É o autor das grandes obras-primas do teatro. Tinha compromisso com sociedade, com a denúncia do sectarismo, das desigualdades, do autoritarismo. Era um humanista. Foi um grande teledramaturgo, inovador. Levou para a televisão os temas e valores de suas peças. Foi uma perda muito grande para a arte brasileira. E também para os amigos. Era amigo, pessoa fraterna, solidária." Antônio Olinto, escrito, tesoureiro da Academia Brasileira de Letras - "Dias Gomes foi um homem extraordinário. Foi o primeiro a dar qualidade artística à televisão, que não era famosa pela qualidade dos programas. Ele dava dignidade ao meio. Mais do que um subversivo, era um insubmisso. E são os insubmissos que corrigem o mundo.Estamos arrasados porque ele estava bem de saúde e cheio de planos. O sofrimento é total." José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, consultor da Rede Globo - "Conheci o Dias Gomes quando tinha apenas 14 anos, em 1950. Ele era diretor da Rádio Clube do Brasil e me orientou no rádio. Em 1969 eu o levei para a Globo. Trabalhamos juntos há trinta anos. Não acho que sua morte seja uma perda para a TV, mas sim para o País. Foi o primeiro a explorar o lado social nas telenovelas, o que hoje é comum. O primeiro a mostrar o cotidiano do País e os problemas políticos, criando um modelo que diferencia a novela brasileira da que é feita no resto do mundo. Além disso, é o maior criador de personagens. Não teve vergonha de, como intelectual, usar sua bagagem cultural para fazer TV." Alcione Araújo, dramaturgo - "Ele levou para a TV sua preocupação social, às vezes em forma de metáfora, outras vezes, de forma bem realista. A novela "O Bem Amado" é um grande exemplo disso, onde ele mostrou de forma contundente a corrupção e o autoritarismo da política brasileira e de uma forma muito bem humorada. No teatro, fez peças definitivas para a história da dramaturgia brasileira que foram "O Pagador de Promessa" e "O Santo Inquérito".Ele fez um romance, "A Derrocada", que considero muito importante por ser quase que um depoimento. Era sobre a queda do muro de Berlim e Dias. Há cerca de uma semana estive com ele e conversamos brevemente sobre um grande projeto de teatro em que ele estava envolvido sobre a Bahia. Por conta dessa sua preocupação com o social, seus personagens não flutuavam na história, mas agiam em espaços concretos. Por tudo isso que se trata de uma perda lamentável." Doc Comparato, roteirista - "Dias Gomes era o único dramaturgo na Academia Brasileira de Letras. Era muito rico intelectualmente. Passou pelo rádio, teatro, cinema e televisão. Costumo dizer que, dramaturgicamente, ele carregou o Brasil nas costas. Na TV, inovou em todos os gêneros.Foi o primeiro a levar o negro para a televisão sem ser em papel de escravo. Levou para o horário nobre a sátira, o realismo mágico, o universo baiano e os clássicos - ele fez "Édipo" na novela das 8h. Não se pode falar em TV sem falar em Dias Gomes. Trabalhei com ele durante cinco anos na Casa de Criação (de 1983 a 1986) e foi um período muito rico em dramaturgia na Globo."

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