Humberto Borges, amigo do acusado Eron Chaves de Oliveira, prestou um dos depoimentos mais comentados ontem à tarde no Tribunal do Júri. Ele contou que, nos churrascos de confraternização, Eron era o responsável por acender a churrasqueira. De acordo com os acusados, foi ele quem jogou álcool sobre o corpo de Galdino Jesus dos Santos, dia 20 de abril de 1997.

Ao ser questionado se o amigo conhecia os perigos de mexer com fogo, Borges afirmou que sim, pois toda vez que eles faziam churrasco, antes de acender a churrasqueira Eron pedia para que o filho do colega se afastasse.

Além de Borges, os advogados de defesa indicaram várias outras testemunhas. Advogado de Antônio Novély Vilanova, Heraldo Paupério, fez questão de revelar publicamente que Beatriz Guimarães Lins Santos insistiu em depor no Tribunal do Júri apesar de estar com sérios problemas de saúde. Ela disse que considerava Novély um filho.

O advogado José Henrique Pierangelli, professor de Direito Penal da USP, disse ontem em Curitiba, que o assassinato do pataxó deve ser classificado como homicídio qualificado e os quatro rapazes acusados devem cumprir a pena prevista, que é de 12 a 30 anos de prisão. ''Ficou claro neste crime o total desrespeito pela vida humana e a intenção de fazê-lo'', declarou Pierangelli, que participou da Semana Prof. Accioly Neto, promovida pela Faculdade de Direito de Curitiba e pelo Diretório Acadêmico Clotário Portugal. ''Dolo Eventual X Culpa Consciente'' foi o tema da palestra de Pierangelli.

Para ele, os rapazes cometeram imprudência, negligência e imperícia ao atear fogo no índio que dormia num banco em Brasília.

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