Amiga mata aposentada para ficar com casa
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segunda-feira, 24 de maio de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 25 (AE) - A aposentada Dalva Domingues da Silva, de 71 anos, foi amarrada, amordaçada e assassinada a golpes de barra de ferro por sua melhor amiga, a caseira Fátima Ribeiro da Silva, de 30 anos. O corpo de Dalva foi achado hoje de manhã na fossa onde fora jogado em março. Fátima, segundo a polícia, cobiçava a casa de Dalva. Ela obrigou a vítima a assinar uma nota promissória de R$ 6 mil e, depois de matá-la, passou a morar na casa da aposentada.
Fátima está presa. O crime ocorreu no Núcleo Santa Cruz, um bairro afastado de São Bernardo do Campo, onde só é possível chegar por meio de balsa. Dalva morava sozinha. Seus filhos vivem em Santo André. No fim de março, um deles, Renato Domingues da Silva, recebeu um telefonema de uma vizinha de sua mãe. Ela dizia que Dalva estava desaparecida havia dois dias.
Renato foi ver o que estava acontecendo e encontrou Fátima e o marido, o pedreiro Antônio Oliveira da Silva, de 34 anos, morando na casa de sua mãe. Eles disseram que Dalva lhes havia vendido a casa, deixando-lhes até a mobília. Apresentaram um recibo de R$ 6 mil, valor da transação. O filho, desconfiado, procurou o 4.º Distrito Policial.
"Sempre fria, Fátima dizia que a Dalva havia vendido a casa e ido para o Piauí com um namorado", afirmou o investigador Ivaldo Alves de Oliveira. A polícia aguardou, então, que Dalva sacasse o dinheiro de sua aposentadoria para saber em que cidade ela estava. Mas abril passou e os R$ 130,00 da aposentadoria permaneceram no banco.
Pouco depois, a polícia recebeu uma informação anônima de que a caseira matara a amiga e a enterrara em casa. Os policiais revistaram a casa ocupada pela acusada, mas não acharam nada. Depois, foram à chácara onde Fátima trabalhara. Não encontraram nada. Há 20 dias, chamaram o Corpo de Bombeiros e revistaram a fossa da chácara. Também sem resultado. "Não podíamos prendê-la
pois não tínhamos o corpo", disse o delegado Carlos Alberto Chehin.
Ontem, a polícia ouviu o depoimento da irmã de Fátima. Rosângela Ribeiro da Silva, de 28 anos, afirmou que a irmã lhe havia dito ter "cometido uma besteira" após ter sido "possuída pelo espírito sete". Na acareação com Rosângela, Fátima voltou a negar o crime.
A polícia ouviu ainda um lavrador, Ricardo de Paes, de 22 anos. Ele contou que Fátima o contratou para tapar a fossa da chácara onde trabalhara. Disse que, durante o serviço, sentiu um cheiro estranho e Fátima lhe disse que havia jogado um cachorro morto na fossa. "Ela já estava vivendo na casa da vítima e, por isso, estranhamos esse interesse na fossa", afirmou o investigador.
Hoje, os bombeiros voltaram à chácara. Desta vez, traziam uma escavadeira. Retiraram terra úmida e até móveis da fossa - construída ao lado de uma pequena lagoa e da casa onde Fátima vivia. Só então encontraram o corpo da vítima.
Confissão - Com isso, os policiais foram à casa ocupada por Fátima, que, então, confessou o crime. Disse ter atraído a vítima até a chácara dizendo que ia fazer uma simpatia para que ela recuperasse o namorado. Fez Dalva assinar a promissória sem que percebesse do que se tratava. Disse-lhe que fazia parte da simpatia. Depois, amarrou seus pés e suas mãos, amordaçou-a e espancou-a com uma barra de ferro.
Ela negou que o marido tivesse participado do crime. Antônio foi levado pelos policiais ao 4.º DP, onde prestou depoimento. "Eu não fiz isso; eu estava trabalhando quando tudo aconteceu"
disse o marido. Ele afirmou que só preencheu a promissória atendendo a pedido da mulher. A polícia pediu à Justiça a decretação da prisão temporária de Dalva por 30 dias a fim de concluir o inquérito do caso.


