Campinas, 17 (AE) - A Associação Brasileira do Amianto (Abra) divulgou hoje em Campinas, os resultados das últimas pesquisas sobre os efeitos do uso do amianto para a saúde humana. Segundo o presidente da entidade, o médico Milton do Nascimento, o amianto utilizado no Brasil, do tipo crisotila, não oferece riscos para o organismo. Com base em laudos internacionais, ele afirmou que apenas o amianto do tipo anfibólio, comum na Europa e Estados Unidos, pode prejudicar a saúde e, por isso, teve seu uso proibido.
"Queremos desmitificar a polêmica gerada pelo uso do amianto, mostrando, com base em pesquisas, a viabilidade do uso da crisotila", disse Nascimento. Falando para uma platéia de médicos e funcionários da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o presidente da Abra apresentou os resultados de estudos desenvolvidos por vários pesquisadores internacionais, demonstrando a diferença entre os dois tipos de amianto.
Uma das pesquisas, concluída há dois meses pelo toxicologista e consultor da União Européia, David Bernstein, revelou que o organismo leva pouco mais de um dia para expelir as fibras de crisotila, enquanto o amianto do tipo anfibólio pode permanecer no corpo por quase três anos. Outros estudos, realizados pela Universidade de McGill, no Canadá, e Universidade de Cardiff, na Inglaterra, atestam que o amianto usado na Europa e Estados Unidos pode permanecer no organismo por um período que varia de 85 a 900 dias, ao passo que o crisotila é eliminado em dois dias.
Em outro trabalho, o professor de Materiais e Minerais da Escola de Engenharia de Cardiff, F. D. Pooley, revela que a crisotila é menos nocivo à saúde por contar com propriedades físico-químicas diferentes dos demais tipos de amianto. Enquanto os anfibólidos são formados por fibras rígidas, a crisotila é composta por pequenas fibrilas, mais maleáveis. Além disso, a crisotila é rica em magnésio, o que facilita a digestão da fibra
ao passo que os anfibólidos possuem muito ferro, o que dificulta esse processo.
O presidente da Abra descartou completamente o risco de contaminação a partir do uso de caixas-dágua fabricadas com amianto.
Segundo ele, as fibras só trazem risco quando inaladas por um período prolongado, o que pode afetar os pulmões. NO caso da ingestão, de acordo com o médico, isso não ocorre, porque a substância é rapidamente eliminada. "Ninguém fica contaminado porque está acostumado a consumir água de um reservatório feito de amianto", garante.
A exposição prolongada ao amianto, segundo o presidente da Abra, pode provocar câncer do pulmão e asbestose, uma espécie de cicatriz que reduz a capacidade respiratória. O risco de surgir uma doença, porém, segundo Nascimento, só acontece quando a pessoa sofre exposição contínua a ambientes onde a concentração de amianto é maior do que duas fibras por centímetro cúbico. "No Brasil, a média nas indústrias que trabalham com essa substância está abaixo de uma fibra por centímetro cúbico", diz o presidente da Abras.

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