Agência Estado
De Campinas
A Associação Brasileira do Amianto (Abra) divulgou ontem, em Campinas, os resultados das últimas pesquisas sobre os efeitos do uso do amianto para a saúde humana. Segundo o presidente da entidade, o médico Milton do Nascimento, o amianto utilizado no Brasil, do tipo crisotila, não oferece riscos para o organismo. Com base em laudos internacionais, ele afirmou que apenas o amianto do tipo anfibólio, comum na Europa e Estados Unidos, pode prejudicar a saúde e, por isso, teve seu uso proibido.
‘‘Queremos desmitificar a polêmica gerada pelo uso do amianto, mostrando, com base em pesquisas, a viabilidade do uso da crisotila’’, disse Nascimento, em palestra na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Uma das pesquisas, concluída há dois meses pelo toxicologista e consultor da União Européia, David Bernstein, revelou que o organismo leva pouco mais de um dia para expelir as fibras de crisotila, enquanto o amianto do tipo anfibólio pode permanecer no corpo por quase três anos.
Em outro trabalho, o professor de Materiais e Minerais da Escola de Engenharia de Cardiff F. D. Pooley revela que a crisotila é menos nocivo à saúde por contar com propriedades físico-químicas diferentes dos demais tipos de amianto. Enquanto os anfibólidos são formados por fibras rígidas, a crisotila é composta por pequenas fibrilas, mais maleáveis. Além disso, a crisotila é rica em magnésio, o que facilita a digestão da fibra. O presidente da Abra descartou completamente o risco de contaminação a partir do uso de caixas-d’água fabricadas com amianto.

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