São Paulo, 23 (AE) - Entre os milhares de neozelandeses que diariamente acompanham cada passo dos tripulantes do NZL-60 da Black Magic, existe um torcedor que veio de São Paulo especialmente para ver de perto as finais da Americas Cup, em Auckland. O ex-cônsul honorário da Nova Zelândia no Brasil, Brian Sinclair, apaixonado por vela e cerveja, como todo legítimo neozelandês, não perde nada sobre a principal competição na vela oceânica mundial. Assiste e lê tudo o que diz respeito às regatas, conhece a história de cada tripulante e tem fácil a resposta para o sucesso do barco negro.
"Enquanto os outros veleiros faziam 40 ou 50 regatas pela Taça Louis Vuitton, todos falavam que os neozelandeses estavam dançando com a irmã, porque treinavam contra eles mesmos. Acontece que a equipe tem dois barcos e duas tripulações do mesmo nível. Eles lutaram para valer e os resultados desses treinos puderam ser vistos nitidamente pelo menos nas largadas das duas primeiras regatas." Sinclair veleja desde criança e chegou a disputar campeonatos nacionais na cidade onde nasceu, Palmerston. Mudou para o Brasil, em 1956, para trabalhar como engenheiro e, em 1982, tornou-se o primeiro representante oficial da Nova Zelândia no País.
A Americas Cup mostra que os neozelandeses também são muito apegados aos símbolos que representam a nação. As manchetes dos jornais referem-se aos velejadores da casa como "os kiwis". Na saída do Black Magic da marina do New Zeland Cup Village, em dia de regata, os torcedores se aglomeram sobre o pier do centro da cidade erguendo cartazes pretos com uma folha branca. O mesmo desenho está estampado no casco do NZL-60 e na camisa preta da tripulação. "Todo neozelandês tem o apelido de kiwi, nome de uma ave marrom que só existe na Nova Zelândia. A folha branca representa a exclusiva samambaia prateada, uma das nossas maiores belezas naturais", explica Sinclair.
A torcida neozelandesa tem como certa a posse da Americas Cup por mais 4 anos, mas o ex-cônsul prefere acompanhar a postura cautelosa adotada pelos velejadores do Black Magic para falar do duelo contra os italianos. "Eu não vou dizer que já ganhamos. Só gostaria de ver regatas com ventos mais fortes, exigindo mais das tripulações. Às vezes, fico meio dividido por causa do Torben Grael. Tem um pouco do Brasil no barco da equipe Prada."
Brian Sinclair fala de vela com a mesma facilidade que o brasileiro discute futebol. "Os jogadores de rugby são os nossos atletas mais conhecidos no Exterior, mas a vela e a natação estão entre as modalidades mais praticadas. Se você perguntar a um neozelandês se ele já velejou e, a um paulista se ele já foi assaltado, as respostas serão iguais."

mockup