Auckland, 25 (AE) - Além do tático do veleiro Luna Rosa, Torben Grael, a Americas Cup conta com a mão-de-obra brasileira no quadro de juízes. O presidente do Painel de Arbitragem é o advogado carioca Peter Siemsen, que trabalhou pela primeira vez na competição em 1987, na Austrália, onde presidiu o Júri durante as eliminatórias, a convite da Federação Internacional de Vela. "É a quarta vez que participo da Americas Cup. O convite feito pelos neozelandeses e um reconhecimento da neutralidade do meu trabalho", orgulha-se Siemsen.
O caso mais estranho que o advogado brasileiro presenciou desde que se envolveu com a competição, aconteceu em 1988, em San Diego, na Califórnia. No ano anterior, treze barcos disputavam a Americas Cup, na Austrália. O veleiro neozelandês era o único fabricado com fibra de vidro. Os demais eram de alumínio. O experiente comandante americano Dennis Conner, o nome mais conhecido na Americas Cup, protestou contra o barco diferente. O Júri presidido por Siemsem julgou a reclamação como improcedente.
O time americano acabou recuperando a taça que havia perdido em 1983, para os australianos. Os neozelandeses que voltaram para casa engasgados com o protesto feito pelo campeão Dennis Conner, fabricaram um veleiro monstruoso para desafiar os Estados Unidos, certos de que o adversário não teria tempo de preparar um barco para se defender.
Os americanos não queriam a disputa, mas o Júri decidiu que o pedido do desafiante era legal. "O bom senso pede que a competição seja feita a cada quatro anos para facilitar a organização, mas nada impede que o desafio seja lançado a qualquer momento", esclarece Peter Siemsen.
Quando o time de Dennis Conner apresentou o barco que usaria na defesa da Taça, os neozelandeses entraram na Justiça Comum, mas a corte de Nova Iorque, que tem a jurisdição sobre a Americas Cup, mandou os dois barcos para água. "Os americanos que não nasceram ontem, prepararam um catamarâ. O veleiro de dois cascos, muito mais leve e rápido, ia embora depois da largada e o barcão neozelandês vinha la atras. Foi um assassinato", lembra Siemsen.
Depois da bizarra regata, que ficou conhecida mundialmente como "missed match" - o duelo que não serviu para nada - os organizadores da competição decidiram criar a classe de barcos Americas Cup, para aproximar o desempenho dos barcos e mostrar aos patrocinadores que a competição voltaria a justificar os altos valores investidos.
Desde outubro de 1999, quando começou a Taça Louis Vuitton, o Painel de Arbitragem atuou em 29 casos. O de maior repercussão foi o julgamento do uso da quilha do Stars & Stripes
comprada na Austrália.
Os árbitros concluíram que o regulamento só permitia o uso de material fabricado no país de origem ou na Nova Zelândia. O time de Dennis Conner " foi para a rua" e perdeu os pontos que havia ganho nas provas em que utilizou o equipamento irregular. O Painel de Arbitragem da Americas Cup é formado por dois juízes da corte suprema da Nova Zelândia, dois americanos e o advogado Siemsen, que foi o primeiro brasileiro a participar de uma olimpíada como juiz, em Los Angeles e atualmente integra os tribunais do Comitê Olímpico Internacional e da Federação Internacional de Vela.
Julgamentos a parte, Siemsen ainda veleja nas raras oportunidades em que pode ir para a água sem ter que trabalhar. "Quando posso ainda disputo algum campeonato da classe Star. Corri o Mundial de 1986 na Suécia com o Torben e agora foi gratificante vê-lo convidado para a Americas Cup. Quando cheguei a Auckland e vi que os italianos o chamavam de São Grael
foi novamente uma grande satisfação".
Siemsen conquistou respeito no iatismo mundial, e gostaria que o governo tivesse o mesmo sentimento com a vela brasileira. "Infelizmente no Brasil a indústria de barcos a vela e perseguida em todos os níveis governamentais. A incidência fiscal matou a maioria das fábricas de veleiros. Quando se fala num barco a vela, mesmo que seja da classe Optimist (veleiro para criança), nossas autoridades imaginam, no minino um iate do Onassis".
Desde o inicio da Copa Louis Vuitton, em outubro de 1999
o Painel de Arbitragem já resolveu 29 casos. Um dos que tiveram maior repercussão, aconteceu com o veleiro Satrs & Stripes, do veterano em Americas Cup Dennis Conner. Durante as eliminatórias, a tripulação colocou uma quilha australiana no barco americano.

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