Americanos iniciam a diplomacia do futebol
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quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por Michelle Ray Ortiz 
Havana (AE-AP) - Eles são jovens que conheceram Cuba apenas como um país comunista, que nasceram mais de 20 anos após Fidel Castro alcançar o poder. Jovens garotos que cresceram no meio da América, alguns dos quais nunca viram um oceano ou pegaram um avião. Eles são adolescentes norte-americanos que usam o mais recente corte de cabelo e costeletas, muitos dos quais adquiriram a maior parte do seu conhecimento sobre esta ilha na última edição da revista National Geographic.
Os 21 membros da seleção sub 17 de futebol do Nebrasca são o tipo de diplomatas que algumas pessoas acreditam são necessários para iniciar uma relação povo-a-povo entre os EUA e Cuba. A idéia por trás desta visita de uma semana, quando foram disputados quatro jogos entre Cuba e Nebrasca, "foi abrir a porta para a geração que não está envolvida com política, para substituir o antagonismo da Guerra Fria por rivalidade atlética", disse Pam Falk, um especialista sobre Cuba que mora em Nova York que está assessorando o time.
O Gold Nemesis de Lincoln, Nebrasca, time que foi campeão estadual por quadro vezes, foi escolhido por suas habilidades, bem como por proceder de uma região sem vínculos com Cuba.
Os organizadores da viagem queriam "um time que não tivesse visto o mundo e não estivesse saturado com política", explicou Falk. Os membros do time dizem que ficaram agradavelmente surpresos com Cuba, onde ele foram recebidos com saudações amistosas de espectadores curiosos sobre o grupo formado em sua maioria por loiros e pele clara.
A reação à chegada do time na praia de Varadero "foi como Moisés partindo para o Mar Vermelho", disse o técnico do time Collin Mangrum. " Foi uma experiência totalmente diferente ver todas estas pessoas querendo saber eram aquelas pessoas e por que estavam naquele lugar". O time integrou-se rapidamente após a chegada e iniciou uma partida às margens das claras águas do Caribe.
Apesar da língua ser uma barreira de comunicação, " as pessoas aproximam-se e dizem meu amigo, seu amigo", conta Chris Frey, um jogador de 17 anos. Antes da viagem, ele não tinha qualquer idéia sobre o país. "Eu li sobre Cuba na National Geographic. Nós sabíamos que era comunista, mas não fazíamos qualquer imagem sobre a ilha", conta.
Muitos jogadores ficaram impressionados com o charme arquitetônico e as belezas naturais de Cuba. Eles também notaram
a pobreza do país, vista nos abarrotados e arruinados apartamentos de Havana. Apesar disso, Frey disse: "é muito melhor do que eu havia imaginado. Há mais liberdades na realidade do que quando você apenas pensa sobre o comunismo".
Da mesma forma, os jogadores cubanos que cresceram sob os 37 anos de embargo americano a Cuba disseram que não há espaço para problemas governamentais nos campos de futebol. "Nós queremos mostrar para as pessoas dos EUA que política não tem nada a ver conosco e que somos gratos por isso", disse o jogador Sandro Seuillano, de 17 anos.
A chegada do time americano coincidiu com a viagem de três dias a Cuba dos líderes das minorias no senado, senadores Tom Daschle e Byron Dorgan. Os dois democratas vieram de estados agrícolas do meio-oeste e estão interessados em aproveitar as vantagens das novas regras que permitem a exportação de produtos agrícolas para Cuba. Ambas as visitas podem ser vistas como "passos em direção a uma grande aproximação" entre as duas nações, disse Luis Hernandez, presidente da Associação Cubana de Futebol. "Esta visita do time de Nebrasca ao nosso país está permitindo que os laços de amizade entre as pessoas dos EUA e de Cuba melhorem", afirmou ele enquanto assistia à primeira partida entre os times. Ambos os lados esperam que a visita do time de Nebrasca abra o caminho para que outros esportes amadores também estabeleçam intercâmbio. "Uma coisa é certa: as pessoas saberão que o povo cubano não corresponde a o estereótipo", disse o capitão do Gold Nemesis Christian Mangrum. "Na verdade eles são pessoas interessantes, realmente genuínos". Seu pai, o técnico da equipe, disse que os jogadores sentiram-se honrados por serem parte de um movimento de apoio à amizade entre os EUA e Cuba. "Nós representamos muito do que eu penso sobre a América: a terra, o coração, os americanos tradicionais", disse ele. "Estamos felizes por representar estes valores".
Mary Hulbert, administradora do Gold Nemesis e mães de um dos jogadores, disse que a viagem intensificou suas esperanças de que as relações entre os países irão melhorar e, assim, dissipar seus temores sobre viagens para um país comunista. "Eu não sou uma pessoa envolvida com política, mas eu estava pensando uma certa noite: nós temos negócios com o Vietnã e com a Coréia do Norte. Nós fazemos negócios com todos aqueles que foram nossos inimigos algum dia. Agora, temos a proximidade com Cuba, que poderia significar tanto para economia que deveríamos permitir a entrada dos negócios", afirmou Mary. "Depois do que eu vi neste país espero que os países dêem as mãos e passem a ter melhores impressões sobre o outro". Logo em seguida ela aplaudiu, junto com os demais pais do Nebrasca quando seus filhos, absorvidos no jogo que terminou empatado em 2X2, trocaram apertos de mão com seus rivais cubanos dizendo: "bom jogo".


