Washington, 25 (AE-AP) - Os americanos estão adotando menos bebês nascidos nos EUA e se voltam cada vez mais para o estrangeiro, onde é maior a disponibilidade de recém-nascidos e as adoções costumam ser menos complicadas, segundo um novo relatório.
Mais de 17% de crianças adotadas por pais americanos em 1996 haviam nascido no estrangeiro, informou esta semana o Conselho Nacional de Adoções, em relatório que mostrou que o número de adoções mais que duplicou esta década. No caso de crianças na primeira infância, com menos de dois anos, as adoções internacionais representaram quase um terço do total, acrescentou o documento.
Entre 1992 e 1996, as adoções de crianças nessa idade nos EUA diminuíram 11% - redução que especialistas atribuem em parte ao fato de que um número menor de mães solteiras cedeu filhos para adoção.
O conselho, grupo privado que promove adoções, baseou seu relatório num levantamento nos Estados e em dados do Serviço de Imigração e Naturalização (INS). Números sobre adoções são naturalmente difíceis de obter, e o novo relatório figura entre os mais abrangentes divulgados até agora, disseram especialistas.
O relatório examinou 54.496 adoções em 1996, envolvendo crianças nascidas nos EUA, e constatou que mais da metade veio do sistema de orfanatos. No seu todo, o número de adoções de crianças americanas baixou - foram 55.706 adoções em 1992 -, segundo o conselho, que fez levantamentos semelhantes em 1982, 1986 e 1992.
Ao mesmo tempo, cerca de 11 mil crianças nascidas em outros paises foram adotadas em 1996, bem acima das 6.500 adotadas em 1992, informou o relatório. Até o ano passado, o número de crianças estrangeiras adotadas chegou a 15 mil. Em 1992, as adoções internacionais corresponderam a apenas 10,5% do total sem laços de parentesco - as que não envolvem membros da família. Em 1996, o total havia aumentado para 17,5%.
Embora o número de crianças nascidas de pais não casados seja maior que antes, é também maior o número de mães solteiras que preferem ficar com os bebês, o que leva à redução do número das disponíveis para adoção, disseram especialistas.
Isto se aplica especialmente às mulheres brancas não casadas, disse Madelyn Freundlich, diretora-executiva do Instituto Evan B. Donaldson de Adoções. Na década de 70, uma em cada cinco mulheres brancas não casadas cedeu bebês para adoção. Agora a proporção baixou para menos de 1%, informou Freundlich.

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