Americanos avaliam programa brasileiro de controle da aftosa
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quinta-feira, 26 de agosto de 1999
Por Renato Andrade 
Brasília, 27 (AE) - O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de Oliveira, ficou bastante otimista com a visita técnica norte-americana que fez uma avaliação de risco e de reconhecimento dos mecanismos de controle oficiais do programa de erradicação de febre aftosa. Técnicos do Animal and Plant Health Inspection Service (APHIS) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), visitaram os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, onde avaliaram os mecanismos de controle sanitário utilizados para a erradicação da febre aftosa.
O Brasil poderá se beneficiar com o adiantamento de uma cota de exportações de até 20 mil toneladas de carne de cortes especiais (sem osso e maturada) caso o relatório dos técnicos seja favorável, adiantou Oliveira. De acordo com o secretário, a avaliação individual dos técnicos foi "muito positiva". O processo efetivo de liberação das exportações, no entanto, é lento.
Segundo Oliveira, entre a emissão do primeiro relatório e a liberação das exportações o prazo médio a ser transcorrido varia entre 9 e 12 meses. De qualquer forma, o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura está confiante de que o País poderá se beneficiar com o adiantamento da cota de exportação de carnes "in natura" de cortes especiais.
A missão norte-americana também fez algumas considerações que precisarão ser corrigidas pelo governo brasileiro. Entre elas a contratação de mais médicos veterinários para acompanhamento dos programas da Secretaria de Defesa Agropecuária e a garantia de liberação de recursos para a manutenção dos programas da Secretaria.
Oliveira lembrou que ainda não foram liberados os cerca de R$ 116 milhões previstos para a manutenção destes programas este ano. "O ministro Pratini de Moraes está empenhado na solução desta pendência", ressaltou.
Estes recursos são fundamentais para o funcionamento das barreiras (fixas e móveis) instaladas nos Estados do Circuito Pecuário Centro-Oeste que passam agora pela etapa de exames sorológicos para buscar junto à Oficina Internacional de Epizootiase (OIE), no início do próximo ano, o certificado de região livre de aftosa com vacinação, assim como já são os Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. "Estamos fazendo todos os esforços para dar continuidade ao programa apesar da não-liberação dos recursos", disse Oliveira.
Com relação a contratação de médicos veterinários, Oliveira disse que o pedido será encaminhado ao ministro Pratini de Moraes já na próxima semana. Ele lembrou que o cumprimento destas exigências permitirá também que o Brasil possa abrir o mercado de exportação de carnes "in natura" para o Canadá e países da Europa, que também já estão avaliando os mecanismos de controle sanitário brasileiro em relação as carnes, tanto de bovinos quanto de aves e suínos.
Segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de Oliveira, na próxima semana a Secretaria deverá estar divulgando um balanço do primeiro mês de funcionamento das barreiras sanitárias nos Estados do Circuito Pecuário Centro-Oeste.
Oliveira disse que todos os Estados que fazem parte deste circuito já concluíram a coleta de amostras de sangue dos animais, que agora passarão pelos exames sorológicos para identificação de possíveis focos de aftosa no rebanho. Fazem parte deste circuito pecuário os Estados de São Paulo, Mato Grosso, Paraná, Goiás, parte de Minas Gerais e o Distrito Federal. Ao todo são 90 milhões de animais. Foram recolhidas cerca de 80 mil amostras.


