Americana investiga relação entre morte de aposentado e vacina
Americana investiga relação entre morte de aposentado e vacina15/Mar, 17:53 Por Clayton Levy Campinas, SP, 15 (AE) -A Secretaria Municipal de Saúde de Americana, na região de Campinas, começou a investigar hoje se a morte do aposentado Luiz Silva, de 72 anos, está relacionada à vacina contra a febre amarela. Segundo familiares, ele começou a passar mal seis dias depois de ser vacinado e morreu ontem (14) no hospital municipal de Americana, onde estava internado há duas semanas. O aposentado foi imunizado durante a campanha de vacinação em massa da Secretaria Estadual de Saúde, em fevereiro. A cidade já registrou uma morte decorrente de reação à vacina contra a febre amarela. A costureira Kate Cristina Ramos, de 22 anos, morreu em fevereiro, no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), cinco dias depois de ser vacinada. Segundo laudo do Instituto Adolfo Lutz, a morte da costureira foi causada pela vacina contra a febre amarela. O caso, considerado raro, está sendo estudado por uma comissão internacional. Silva foi internado com infecção generalizada, comprometimento de pulmões, rins e fígado, além de gânglios pelo corpo e feridas na pele. Segundo o atestado de óbito, a morte foi causada por falência múltipla dos órgãos e pneumonia bilateral. Apesar de o quadro apresentar semelhanças com o da costureira, as autoridades de saúde estão cautelosas em tirar conclusões, uma vez que Silva, ao contrário de Kate, não teve febre hemorrágica. Parentes de Silva, porém, estão convencidos de que a morte está relacionada à vacina. Segundo eles, o aposentado apresentava boa saúde antes de ser imunizado, não registrava histórico de deficiência imunológica, e não havia se deslocado para regiões endêmicas de transmissão da febre amarela. A costureira, segundo laudo do Instituto Adolfo Lutz, também não apresentava nenhuma patologia grave anterior à vacina. A família do aposentado registrou boletim de ocorrência na polícia e exigiu a realização de necrópsia para esclarecer a causa da morte. Em nota divulgada hoje a Secretaria Municipal de Saúde de Americana informa que o material retirado para exame foi enviado para o Instituto Adolfo Lutz de São Paulo. Os resultados deverão ser divulgados em quinze dias. Suspende - Após a morte de Kate a Secretaria Estadual de Saúde suspendeu a vacinação contra a febre amarela nos 42 municípios da região de Campinas. Os lotes da vacina utilizados durante a campanha foram enviados ao Laboratório Biomanguinhos, no Rio de Janeiro, para ser verificados. O laboratório, ligado ao Instituto Oswaldo Cruz, é responsável pela produção das vacinas. A Divisão Regional de Saúde (DIR) de Campinas também decidiu fazer uma série de análises para esclarecer se o aumento inesperado de casos de meningite viral, registrados na cidade nos últimos dias, estaria relacionado à vacinação em massa contra a febre amarela.Segundo dados oficiais do órgão, foram registrados 80 casos da doença nos meses de janeiro e fevereiro. Esse número corresponde a um aumento de 20% em relação ao mesmo período de anos anteriores. "Existe uma evidente relação temporal entre a doença e a vacinação", disse o diretor da DIR, Marcelo de Queiroz Ramos. Segundo ele, não está descartada a possibilidade de o aumento nos casos de meningite estar relacionado a um efeito colateral inesperado da vacinação. "Como as doses são produzidas com o vírus vivo enfraquecido, há sempre o risco de a toxidade viral ter ficado acima do normal", explica. Além de examinar as vacinas, a DIR também enviou para o instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, material colhido dos pacientes com meningite. Se as amostras revelarem a presença do vírus da febre amarela, será mais um indício de que os casos de meningite estariam relacionados à vacina. Os resultados, segundo Ramos, deverão ficar prontos em trinta dias. A campanha de vacinação imunizou cerca de dois milhões de pessoas na região de Campinas. A medida foi adotada pelo Governo Estadual depois de ter sido registrado um caso da doença na cidade. A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) vai relatar os dois óbitos registrados em Americana no Congresso Internacional de Doenças Emergentes, que acontece em abril, em Atlanta, nos Estados Unidos.





