Buenos Aires, 23 (AE-REUTERS) - A América Latina e os Estados Unidos repudiaram nesta terça-feira (23) o assassinato do vice-presidente paraguaio, Luis María Argaña, e ofereceram todo o tipo de colaboração para esclarecer o crime.
Argentina, Brasil e Uruguai - países integrantes do Mercosul junto ao Paraguai - manifestaram sua indignação pelo crime cometido em Assunção, onde desconhecidos balearam Argaña que se deslocava a bordo de um automóvel.
O porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, James Rubin, expressou a enérgica condenação de Washington e exortou o governo paraguaio a levar a cabo uma investigação exaustiva para prender os responsáveis pelo crime.
O presidente argentino Carlos Menem, que encontra-se em Miami, Estados Unidos, expressou seu pesar pelo crime.
"Quero expressar com muito pesar que hoje o Mercosul está de luto porque foi assassinado o vice-presidente da República do Paraguai há um par de horas", declarou Menem por meio de mensagem emitida na Universidade Internacional da Flórida e citado pela agência de notícias Telam.
O Brasil condenou igualmente o crime, apontando que não via ameaça para o governo de seu vizinho: "Lamentamos profundamente. É claro que condenamos um ato de violência contra uma alta autoridade de um país vizinho e amigo."
O presidente paraguaio Raúl Cubas Grau informou sobre o assassinato a seu colega brasileiro Fernando Henrique Cardoso por telefone, afirmou a jornalistas o ministro da Justiça brasileiro Ranan Calheiros. Ele acrescentou que enviou agentes da polícia federal à fronteira com o Paraguai para ajudar a capturar os assassinos.
O presidente paraguaio convocou uma reunião de emergência de seu gabinete e o Congresso anunciou uma sessão especial para quarta-feira. Mas o porta-voz da chancelaria garantiu que o Brasil não vê nenhuma ameaça contra o governo do Paraguai. "Não temos nenhuma informação que nos leve a pensar que exista alguma ameaça ao regime do Paraguai", disse o porta-voz.
No Uruguai, o chanceler interino Roberto Rodríguez Pioli manifestou a "preocupação" de seu governo perante o assassinato do vice-presidente paraguaio. "O Uruguai está comovido. O presidente reagiu com preocupação, mas o tema deve ser encarado com serenidade e moderação e com os melhores desejos para que a vida institucional volte ao normal", afirmou.
O chanceler recordou que no âmbito do Mercosul existe uma cláusula democrática "que não admite países cuja institucionalidade se quebre" e garantiu que o assunto Paraguai foi tratado em inúmeras ocasiões nas comissões do Mercosul.
Em Washington, Rubin disse que "os Estados Unidos condenam energicamente o assassinato do vice-presidente Argaña" e declarou que "a violência não tem absolutamente nenhum lugar no processo democrático".
"Pedimos a todos os paraguaios para renunciar ao uso da violência como meio de resolução de diferenças políticas e aderir às normas legais e constitucionais", disse o porta-voz. "Exortamos o governo do Paraguai para levar a cabo uma investigação completa e vigorosa para levar à justiça todos os responsáveis por este horrível ato", acrescentou.
Peru, Bolívia, México e Costa Rica também condenaram energicamente o assassinato de Luiz María Argaña.

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