América Latina captou US$ 76,7 bi em IED em 1998, diz Cepal
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2000
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 19 (AE) - O investimento externo direto (IED) na América Latina e o Caribe cresceu 11% em 1998, passando de US$ 69,4 bilhões, em 1997, para US$ 76,72 bilhões, de acordo com informe da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), divulgado hoje (19) em Santiago. Esse resultado coloca a região no mesmo patamar da ásia, onde o IED caiu 14% no mesmo período.
O informe da Cepla mostra que o fluxo de IED no mundo em 1998 aumentou 39%, em relação ao ano anterior, chegando a US$ 650 bilhões. "Isso mostra a contínua aceleração da expansão internacional das empresas transnacionais no contexto do processo de globalização", afirma a Cepal.
Em 1998, o Brasil atraiu a maior quantidade de recursos diretos na região, abosorvendo 41,6% dos US$ 76,72 bilhões, seguido bem atrás pelo México, que captopu 13,3%. A Argentina recebeu 8%; Chile, 6%; e a Venezuela, 5,8%. De acordo com cifras preliminares da própria Cepal, o Brasil continuo sendo o foco principal dos investimentos externos diretos em 1999, principalmente por causa da venda de ativos estatais (telecomunicações e energia) e privados (serviços financeiros e comércio varejista).
No ano passado, a Argentina passou a segundo lugar, graças à venda da YPF (Yacimientos Petrolíferos Fiscales) para a espanhola Repsol. De acordo com o chefe da Unidade de Investimentos e Estratégias Empresariais da Cepal, Michael Mortimore, a abertura e a desregulamentação dos serviços, principalmente nos países do Mercosul, foram os responsáveis pelo aumento dos ingresso diretos na região.
"É bom lembrar que essas operações foram significativas: 24 privatizações acima de US$ 5000 milhões corresponderam a 39% do total das privatizações no período 1998-1999 e 14 adquisições acima de US$ 500 milhões de empresas nacionais representaram 63 9% do valor total das fusões e aquisições", explica Mortimore.
Em relação à notável participação de capitais espanhóis no IED na América latina, Mortimore afirma que o elemento central dessa resposta continua sendo a globalização e, também, o processo de consolidação da economia européia. "Temos de levar em conta que a maioria das companhias espanholas apostou seu futuro como empresa em seus investimentos na América Latina", diz o funcionário da Cepal.
"Diante da timidez de outros investidores, os espanhóis fizeram volumosos investimentos em termos absolutos, que impressionam ainda mais se levarmos em conta o esforço que significaram para essas empresas." Segundo Mortimore, as multinacionais espanholas pagaram ágios notáveis em comparação com outros interessados nas privatizações e aquisições na região.
"Essa exposição representa um grande risco, mas, ao mesmo temo, já se observa que essas empresas estão fortemente posicionadas na América Latina. É a forma de enfrentar o desafio da globalização", afirma Mortimore.


