Ameaças que enfeitam praças e jardins
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domingo, 22 de outubro de 2006
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os jardins de casas, praças, parques podem ser coloridas e perfumadas zonas de perigo. Isso porque junto com a beleza da primavera surgem diversos casos de doenças respiratórias e de intoxicação por plantas venenosas. Neste último caso as crianças são as principais vítimas. De acordo com dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), órgão da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), 64,5% dos casos de intoxicação por plantas no Brasil em 2003 aconteceram com crianças de até nove anos, a maioria por motivo acidental.
O Sinitox registrou 1.955 casos de intoxicação por plantas em 2003 no Brasil. Destes 1.261 foram com crianças, sendo que cinco delas morreram. Os dados do órgão são separados pelas Centros de Controle de Envenenamento dos estados. No Paraná, até 2003, os registros ficavam por conta apenas de Curitiba e Londrina e foram computados 75 casos e nenhuma morte.
''A intoxicação com plantas é menos problemática do que com outras substâncias, mas nos chama a atenção porque atingem crianças e podem ser facilmente evitadas. Muitos adultos não conhecem a toxicidade das plantas e levam para casa'', explicou a coordenadora do Sinitox, Rosany Bochner. ''Os pais devem explicar, não deixar ao alcance, ficar de olho onde as crianças estão mexendo no jardim ou em parques'', completou.
Rosany salientou que as plantas tóxicas costumam ser bonitas e por isso usadas com ornamento. ''A questão não é tirar as plantas tóxicas do convívio. Mas é preciso conhecê-las, já que umas têm a semente tóxica, outras a flor, outras a folha, e respeitá-las. Só não é bom mexer nelas'', recomendou.
Um exemplo de planta tóxica que está no convívio das pessoas é a comigo-ninguém-pode. ''É a campeã de intoxicação. Até por conta da crendice popular de que tira mau olhado ela fica em todos os lugares. E todas as partes dela são tóxicas, podendo causar problemas de pele e também fazer mal se ingeridas'', explicou a coordenadora do Sinitox. Segundo Rosany a absoluta maioria dos casos de intoxicação de crianças por plantas acontece na área urbana.
O número de adultos intoxicados por plantas é menor e acontece geralmente por falta de informação. Algumas plantas que as vezes são usadas como temperos ou como alimento e fazem mal. ''A taioba brava, usada muitas vezes como alimento, não perde a toxicidade nem depois de cozida. Já a taioba pode ser ingerida. É preciso se informar'', orientou Rosany.
A ingestão de plantas como medicação é outra causa de intoxicação. Um caso grave, que há inclusive registros de mortes, é o da espirradeira. Algumas mulheres usam a planta como abortivo. Outra planta que pode levar à morte é a saia-branca.
Em caso de intoxicação, a melhor recomendação é procurar ajuda imediatamente. Rosany lembrou que existe o Disk Intoxicação (0800-7226001), que funciona 24 horas para todo o Brasil. ''Em caso de acidentes com qualquer substância a pessoa deve ligar para lá. Eles vão dar informações do que deve ser feito ou para onde a pessoa deve ser encaminhada'', afirmou. O atendimento é feito por médicos especialistas em intoxicação. Rosany ressaltou que até os médicos que não dominam o assunto e recebem um paciente intoxicado podem ligar para receber orientação de como proceder.


