Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), ameaças públicas de estupro no Centro Politécnico resultaram em uma grande mobilização feminina no ano passado. A estudante de Arquitetura e Urbanismo Laís Gomes, que engrossou o movimento, conta que as estudantes protestaram após o desfecho de uma atividade do Centro Acadêmico do curso, que propôs colar cartazes em branco para os alunos se expressarem sobre o que esperavam da universidade.
"Entre mais de cinquenta demandas, houve duas com viés feminista", recorda. Passados alguns dias, uma mensagem extremamente vulgar e agressiva apareceu no mesmo painel, ameaçando as alunas lésbicas de estupro. "Consideramos uma reação machista contra o curso de Arquitetura e Urbanismo, por ser o que mais tem mulheres, muitas delas lésbicas, no Centro Politécnico", afirmou.
Indignadas, as estudantes organizaram de forma espontânea o que chamaram de "rolê das minas", com manifestações de repúdio contra o machismo expresso nas paredes.
O movimento causou polêmica e gerou acusações sobre um suposto dano ao patrimônio da universidade, por causa da expressão de algumas alunas em estêncil lavável nas paredes. "O suposto dano ao patrimônio se tornou mais importante que a ameaça de estupro", denuncia.
A lição aprendida após o episódio é que, apesar da cultura do estupro fazer parte do ambiente universitário, as estudantes têm poder de mobilização e não estão sozinhas.
Diante do ocorrido, a estudante Ana Bonamigo, que integra o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFPR, conta que vários coletivos feministas decidiram se manifestar. Atualmente, o próprio DCE tem uma comissão específica para combater o que consideram opressões. "Durante o banho de lama do trote atuamos com uma fitinha rosa no braço para receber denúncias de trotes abusivos. Também fizemos uma campanha massiva durante a semana de matrículas instruindo as calouras a não participarem de nada que não quisessem", conta a militante estudantil, destacando que também abriram possibilidade de receber denúncias anônimas. (C.A.)

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