Londrina - Hoje serão julgados dois dos três acusados pela execução do agente penitenciário Francisco Gonçalves Filho, o Chiquinho, morto aos 41 anos quando chegava em casa, na Zona Norte de Londrina, em janeiro de 2008 André Júnior dos Santos responde por homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e sem oferecer chance de defesa à vítima) e Edicléia de Oliveira Theodoro será julgada como participante do crime Ambos negam envolvimento O sindicato da categoria, que promete ir ao tribunal com faixas de protesto, sustenta que o crime teria sido encomendado por uma facção criminosa e revela que ameaças são frequentes em Londrina
Conforme a denúncia, Chiquinho foi morto na noite de 23 de janeiro de 2008, quando chegava em casa de carro junto com o filho de 10 anos, que não se feriu Dois homens em uma moto teriam se aproximado e, após três disparos, o garupa - Santos, conforme a promotoria - teria aberto a porta do veículo e disparado pelo menos mais 13 vezes
Santos e o adolescente que seria o condutor da moto foram capturados no Paraguai O menor cumpriu medida socioeducativa e está livre O adulto está preso no Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) Já Edicléia será julgada porque teria emprestado a moto para a dupla
A acusação não esclarece a motivação do crime nem se os acusados teriam agido a mando da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) Porém, indica uma possível relação dos acusados com o crime organizado A FOLHA apurou que dias antes do crime o agente morto teria sido ameaçado após revistar uma cela da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), onde estariam membros de facção
Responsável pela acusação, o promotor Cláudio Esteves preferiu não falar ''O que posso dizer é que foi um crime gravíssimo'', resumiu Situação corroborada pelo Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), que convocou os servidores para acompanharem o julgamento O gerente administrativo Vilson Brasil foi enfático ''O Chiquinho foi executado a mando de facção criminosa, que tem muitos integrantes em Londrina Por isso queremos que seja apurado a fundo para saber quem mandou matar e por que ''
Brasil denunciou que as ameaças contra agentes em Londrina são frequentes ''No final do ano a tensão aumenta tanto dentro quanto fora dos presídios Parece uma panela de pressão com a válvula entupida'', comparou Fala reforçada por fatos como o que ocorreu na última segunda-feira no CDR Uma suspeita de que os presos iniciariam uma greve de fome motivou uma revista nas celas O vice-diretor Luciano Pereira dos Santos reafirmou que o clima é tranquilo, mas que há maior cautela sobre os membros de facção
Os réus serão defendidos por advogados nomeados pela Justiça ''A defesa segue uma linha única de negativa de autoria, porque não há provas nos autos (contra eles)'', adiantou Silvio José Farinholi Arcuri, que defende Santos O defensor de Edicléia será Rodrigo Moreira de Almeida Vieira Neto, que não retornou telefonema da FOLHA

mockup