Toronto (AE-REUTERS) - Atenção administradores de computadores e todos que tenham um cartão de crédito: vocês não estão a salvo na Internet, suas informações estão ficando fáceis de serem encontradas e os hackers - cowboys de computadores que invadem sistemas por emoção, para mostrar destreza, para conseguir dinheiro ou por vingança - estão em todo lugar.
Especialistas concordam que não há rede, site ou sistema seguros o suficiente para manter afastados hackers determinados, que têm invadido computadores através das linhas telefônicas desde o final dos anos 70, e agora usam a Internet. "Não existe um computador perfeitamente seguro, então sempre haverá alguém invadindo ele", disse Brian OHiggins, chefe do escritório de tecnologia na empresa texana Entrust Technologies Inc., que codifica informações para que elas sejam transmitidas com mais segurança. Especialistas dizem que com o crescimento explosivo da Internet e as vendas no cyberespaço, há mais oportunidades para se entrar no sistema de uma companhia e abusar da informação encontrada lá, como números de cartões de crédito.
O número de incidentes com hackers é difícil de ser determinado. Mas em um levantamento feito no ano passado a Computer Security Institute, que fica em São Francisco, descobriu que houve um crescimento dos crimes envolvendo computadores desde o ano passado, que vão desde o roubo de laptops até assaltos na Internet. O levantamento mostra que 64% das corporações e outras organizações reportaram quebras na segurança, um aumento de 16% em relação a 1997. A maioria das organizações temem um violador com as seguintes características: um homem jovem e sozinho sentando em seu porão, o estereótipo do desajustado social com um cérebro e um computador poderosos e muita curiosidade. "É um exemplo de comportamento nocivo que provavelmente está presente na natureza humana há muito tempo", disse o analista David Breiner, do banco de investimentos Volpe Brown Whelan & Co. "Mas o problema é o lado negro da natureza humana na era da informação".
Um famoso incidente que veio a público foi uma invasão no ano passado da página do The New York Times na Internet. Um grupo auto-entitulado "Hacking for Girlies" colocou na home page do Times fotos de mulheres nuas e uma discussão sobre o legendário hacker Kevin Mitnick, que enfrenta um julgamento na Califórnia pela acusação de ter praticado fraudes através do computador.
Os motivos de um hacker vão da excitação com um desafio - seja ele técnico ou intelectual - até ganhos financeiros e espionagem industrial. Mas o mais perigoso motivo é a vingança de um empregado descontente, disse Breiner. Consultores profissionais hackers, que são contratados para testar a segurança dos computadores de corporações montando ataques a eles, concordam. O consultor de segurança da firma Ernst & Young, Matunda Nyanchama, cuja companhia acaba de inaugurar o primeiro laboratório de ataque e penetração de sistemas de computadores no Canadá, diz que o maior perigo vem de seus próprios colegas. "Cerca de 80% dos riscos associados a um ambiente de tecnologia de informação vêm de dentro. Mas o que descobrimos é que os clientes tendem - parcialmente por causa da imprensa, acho eu - a achar que estes hackers estão na Internet".
Em um caso, um importante membro da equipe de uma empresa estava secretamente vazando informações confidenciais para uma firma rival, disse Nyanchama. O empregador dos membros da equipe era confundido pelo concorrente, que constantemente o batia em seu próprio jogo.
Robert Clyde, gerente-geral do departamento de segurança na Axent Technologies Inc., uma companhia de segurança para informações em Maryland, esteve em cena pelos últimos 20 anos e notou uma mudança na inspiração dos hackers. A mentalidade do hacker, que costumava ser "olhe mas não toque" e incluía a ajuda dos hackers bonzinhos que apontavam os pontos fracos de uma companhia, se expandiu, disse Clyde. Agora essa mentalidade inclui também o desejo por dinheiro ilegal ou até o "cyber-terrorismo", assim como quebrar um sistema.
Agora há indicações de que o crime organizado se infiltrou através de algumas nações que ignoram a transferência eletrônica de fundos norte-americanos, ele disse. Por exemplo, um emprego "dentro/fora" significa que uma companhia está contratando um especialista em computadores para construir uma rede. Por uma pequena bonificação de um grupo criminoso o especialista irá deliberadamente fazer um erro estúpido, deixando um buraco eletrônico através do qual outros possam transferir dinheiro para contas bancárias particulares.Alguns casos de hacking são bem conhecidos, como o assalto aos computadores do Pentágono feito por um adolescente israelense conhecido como "Analyzer" e um amigo, que foram pegos no ano passado.
Mas companhias geralmente são invadidas mas não contam para público. Ou podem até mesmo não ter percebido. Muitos bancos podem já ter sido atingidos em alguma extensão, disse OHiggins, da Entrust. Um modo de assegurar uma relativa segurança, diz ele, é a encriptação: codificar informação para assegurar que ela não possa ser lida sem uma chave eletrônica. Uma instituição financeira foi à Entrust em pânico depois de perder cerca de 350 mil números de cartões de crédito potenciais depois da invasão de um computador. Clyde costuma ir a convenções de hackers cujos participantes variam de bons rapazes e agentes do governo até pessoas com dentaduras de vampiro. Mas ele diz, "os mais assustadores são aqueles que não são assim. Eles são muito profissionais e fazem isso por dinheiro. Estes não são apanhados".

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