Rio, 18 (AE) - A ameaça feita pelo funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Temílson de Resende, o Telmo, ao ex-técnico da Telerj Waldeci Alves de Oliveira, gravada numa escuta legal feita pela própria Abin, é um dos fundamentos da decretação da prisão preventiva do agente apresentados pelo juiz da 2ª Vara Criminal da Justiça Federal, Alexandre Libonati. Em seu despacho, ele considera que a ameaça corrobora as razões apresentadas pelo Ministério Público Federal para pedir a detenção de Telmo.
O recurso do MPF contra a revogação da prisão, concedida pela juíza substituta, Cláudia Valéria Fernandes, quando Libonati estava de férias, baseia-se em dois fundamentos. Um, o da ameaça à instrução criminal: Telmo teria ameaçado o ex-policial federal Célio Arêas da Rocha, que depôs em juízo incriminando o agente, e o procurador da República Artur Gueiros. O outro fundamento, o de que Telmo pode ameaçar a ordem pública, foi tirado da conversa que o agente e Rocha tiveram em agosto, num almoço gravado pela Abin. Há trechos que indicam o envolvimento do agente em outros grampos, então em curso - e, em dado momento, ele diz que será preciso "dar um jeito" no ex-técnico da Telerj. Em seu depoimento à Polícia Federal, Oliveira disse ter sido convidado para o grampo no BNDES pelo detetive particular Adilson Alcântara de Matos, também indiciado no inquérito e apontado pela polícia como "sócio" de Telmo.
Indícios - Libonati apontou, em sua decisão, que o desmagnetizador encontrado na casa do agente pela PF "não se trata de um bem comum, encontrado em qualquer lar, mas justamente naquele pertencente a suspeito de realização de grampos telefônicos ilícitos". A juíza havia considerado que o aparelho "não necessariamente seria utilizado em atividades delituosas".
Para o juiz, embora a decretação da prisão preventiva não se relacione a provas colhidas no inquérito, já há "indícios de autoria na pessoa do réu pelo cometimento do crime materializado no inquérito apenso". O advogado de Telmo, Carlos Kenigsberg, afirmou que o despacho representa um pré-julgamento de seu cliente. "É um absurdo, houve um pré-julgamento do início a fim da decisão", disse ele. Kenigsberg pretende entrar na quarta-feira (20) com um pedido de habeas-corpus no Tribunal Regional Federal (TRF). Até lá, segundo ele, Telmo não se apresentará e continuará escondido.

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