São Paulo, 28 (AE) - O presidente da Câmara Americana de Comércio (Amcham), John Edwin Mein, defende que a Agência de Promoção de Investimentos, cuja criação foi anunciada no domingo pelo ministro Martus Tavares, do Orçamento e Gestão, concentre suas atividades apenas na atração de recursos para projetos de infra-estrutura ligados ao PPA (Plano Plurianual) e não estenda suas funções para a área de interlocução junto aos investidores estrangeiros. Para Mein, à frente da maior câmara de comércio no País, fora do PPA a agência deveria se restringir a dar suporte aos esforços já existentes, como câmaras e institutos.
"Existe uma diferença entre a lógica negocial e a lógica política", disse Mein. Segundo ele, o investidor está apenas interessado no negócio, ao passo que uma agência do governo pode ser utilizada de forma a atrair investimentos para áreas onde haja interesses políticos. Ele acredita que, com toda essa disputa entre Estados e municípios para atrair investimentos, os interesses políticos falarão mais alto. O objetivo da Agência é atrair capital para projetos de US$ 180 bilhões, dos quais US$ 106 bilhões em infra-estrutura em quatro anos.
Segundo Mein, as câmaras têm muito mais credibilidade do que os governos junto ao investidor e são uma das principais referências do empresário que quer se instalar ou crescer no País. "Temos a experiência de quem vive no País, e isso conta muito", afirmou. A Amcham foi uma das entidades convocadas pelo governo no período de elaboração da agência, iniciativa muito elogiada pelo presidente da câmara.