Ambulantes obrigam comerciantes a fechar lojas na Lapa
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segunda-feira, 04 de outubro de 1999
Por Natalie Antar 
São Paulo, 05 (AE) - Pelo segundo dia consecutivo ambulantes que tiveram suas barracas recolhidas pela Prefeitura na noite de domingo voltaram a protestar nas ruas comerciais da Lapa, na zona oeste de São Paulo. Durante todo o dia hoje, com apitos, faixas e bandeiras do Brasil, cerca de 200 camelôs percorreram as Ruas 12 de Outubro, Dronsfield, Doutor Cincinato Pomponet, entre outras. "Fecha, fecha, fecha", gritavam, e acabavam atendidos pelos comerciantes, que temiam pela segurança. Por causa da manifestação, segundo os lojistas, o movimento caiu cerca de 80%.
"Queremos apenas trabalhar e ganhar o nosso dinheiro", disse o ambulante Jessé da Lima de Araújo, de 40 anos. "Se a gente não pode, os comerciantes também não vão abrir suas portas." O protesto foi acompanhado por 80 policiais militares do 4.º Batalhão e 150 homens da Guarda Civil Metropolitana. À medida que os camelôs passavam os comerciantes fechavam as portas.
Após a saída dos manifestantes as lojas eram reabertas. Como a passeata foi contínua, as lojas enfrentaram uma maratona de abre e fecha."Está difícil trabalhar, pois temos de ficar atentos para garantir a nossa segurança", disse o comerciante Paulo An, de 43 anos. "Ninguém na Rua 12 de Outubro está conseguindo vender com essa manifestação."
Suborno - De acordo com o líder dos camelôs, Nilson Lima
que incentivava os colegas com um microfone, o motivo da passeata, além da retirada dos camelôs do local, é a prática de suborno por funcionários da Administração Regional da Lapa. "A retirada das nossas barracas foi apenas uma represália dos fiscais, que estão arrecadando menos que na época do vereador José Izar (PST)", voltou a denunciar Lima. "A propina continua solta, mas em menor escala, pois acredito que os fiscais estão com receio após tantas denúncias."
Na AR-Lapa, a informação é de que não há conhecimento sobre o fato de funcionários, atualmente, estarem subornando os ambulantes e as denúncias contra qualquer funcionário devem ser feitas formalmente.
Susto - A dona de casa Neusa Alencar, de 40 anos, foi surpreendida pelo protesto. "Queria comprar uma calça para o meu filho e fiquei 15 minutos numa loja com as portas fechadas, com medo do tumulto", disse. "Vou para casa e só volto quando tiver certeza que tudo está calmo." Os camelôs ameaçam dar continuidade aos protestos. "A manifestação não tem dia para terminar", afirmou Lima. "Os homens da Guarda Civil Metropolitana não vão aguentar nosso protesto todos os dias."


