São Paulo, 04 (AE) - O bairro da Lapa, na zona oeste de São Paulo, viveu hoje um dia de tensão provocado por manifestações de ambulantes que tiveram as barracas recolhidas pela Prefeitura ontem (03) à noite. Quase 600 guardas civis e 80 policiais militares tomaram as principais ruas para proteger os comerciantes, que se renderam aos protestos e baixaram as portas. Houve dois fortes confrontos entre policiais e camelôs no início da manhã. Alguns ambulantes tiveram ferimentos leves.
O motivo das consecutivas passeatas e do fechamento do do comércio foi, além do desmonte das bancas, a cobrança de propina por funcionários da Administração Regional da Lapa, segundo o líder dos camelôs, Nilson Lima. "Depois que apareceu o Izar (vereador José Izar, do PST) por aqui, nossa vida virou um inferno; a retirada das barracas foi represália dos fiscais, que estão arrecadando menos do que antes."
De acordo com ele, fiscais continuam recolhendo até R$ 30,00 por semana de cada barraca e R$ 300,00 das bancas de pastel. Izar foi indiciado pelo Ministério Público, acusado de participar do esquema de arrecadação de propinas da regional, controlada por ele politicamente, mas foi absolvido por seus colegas no rito de cassação de seu mandato na Câmara.
A AR-Lapa informou que desconhece a cobrança de propina. "Se realmente houver denúncia, que seja feita formalmente", disse a assessora de gabinete, Aldri Gabriel.
A confusão começou por volta das 7 horas, quando 200 camelôs se reuniram para protestar. Na tentativa de baixar as portas das Lojas Americanas, às 9 horas, ambulantes foram impedidos pela polícia e agredidos. Um camelô foi detido.

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