Ambulantes e fiscais entram em choque em SP
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sexta-feira, 22 de agosto de 1997
Agência Estado São Paulo 
Várias pessoas ficaram feridas ontem, no pior conflito entre ambulantes e fiscais da Prefeitura de São Paulo desde o início da gestão de Celso Pitta (PPB). Ao cumprir a ameaça feita na quinta-feira de voltar à Avenida Paulista depois de um mês da proibição do prefeito, os ambulantes desencadearam um confronto que durou mais de meia hora. Dois policiais da Guarda Civil Metropolitana e três camelôs foram socorridos nos pronto-socorros mais próximos. Outras dezenas de envolvidos teve escoriações leves.
Desde às 10 horas, cerca de 200 manifestantes armaram mais de 60 barracas com mercadorias nos quarteirões da Paulista de maior movimento - entre as ruas Augusta, Frei Caneca e Ministro Rocha Azevedo. Mais de 70 homens da Guarda Civil já estavam no local. A situação começou a ficar tensa por volta do meio-dia. O quebra-quebra começou às 14 horas, quando os ambulantes, tentando impedir a retirada de mercadorias pelos fiscais, fizeram uma corrente humana.
Policiais afirmam que os ambulantes estavam armados de paus e pedras e iniciaram o conflito. Trinta fiscais da Administração Regional da Sé participaram da confusão. Segundo o comandante da operação, José Reynaldo Brígido, do Comando Operacional Centro da GCM, não houve truculência. Só usamos os cassetetes por necessidade, disse.
Seis ambulantes foram levados ao 78º Distrito Policial para prestar esclarecimentos e outros seis ao 4º DP. A liberação dos camelôs foi quase imediata. Alguns manifestantes permaneceram no local para tentar readquirir a mercadoria apreendida. Até as 16 horas a fiscalização não havia expedido as guias de apreensão.
O ambulante Amário José da Silva, de 32 anos, demorou mais de 40 minutos para ser liberado. Algemado durante o quebra-quebra, ele foi levado para o 4º DP. Na hora de abrir as algemas a chave não foi encontrada. Tivemos de chamar o chaveiro, confirmou a delegada Henriqueta Caruso.
Os ambulantes prometem voltar à avenida na próxima semana. O líder dos ambulantes da Paulista, Marcos Antônio Maldonado, afirmou que segunda-feira os 200 camelôs da região farão nova tentativa. Preferimos apanhar do que aceitar essa decisão racista, disse.
Maldonado garantiu que ontem os ambulantes não estavam contrariando o decreto do prefeito. Apenas montamos as barracas, não vendemos nenhum produto, declarou. Estávamos nos expressando contra a posição da Secretaria das Administrações Regionais, que é intransigente, disse.


