Ambulantes driblam fiscalização da CMTU
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domingo, 14 de novembro de 2004
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Olhares ariscos, um sinal do colega a metros de distância ou o aviso de quem simplesmente passava pelo local, sem ter nada a ver com a história. Aparentemente simples, as estratégias foram utilizadas ontem de manhã com relativo sucesso por uma boa parte dos ambulantes no Centro de Londrina para despistar a fiscalização da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
Um passeio pelo Calçadão revelava os primeiros sinais de que o dia mais agitado para o comércio, definitivamente, não abriria vez a esses vendedores. Sinais deixados sobretudo pelo reforço no efetivo de policiais militares - por vezes, até cinco em um único quarteirão e de cerca de 20 agentes da CMTU, que diligenciaram a área em carro, motos e a pé.
Segundo o coordenador de trânsito e posturas da Companhia, Haroldo Takaso, a operação, que durou até às 13 horas (horário de fechamento do comércio), apreendeu uns poucos guarda-chuvas e alguns doces. Aglomerados durante todo o quarteirão do Cine Teatro Ouro Verde, os hippies não foram interpelados pelos fiscais. Não queremos entrar em confronto, adiantou o gerente de fiscalização de trânsito da CMTU, Álvaro Grotti Junior, dando a entender que a próxima semana deve ter novidades.
Um vendedor ambulante de CDs piratas espreitava o ponto próximo ao Banco Itaú ajudado por um colega. Ao sinal combinado, a mercadoria era guardada em uma sacola em poucos segundos. A gente trabalha tenso, mas vale a pena. Se os fiscais chegam, nem preciso correr, o CD é fácil de esconder, contou. Camuflado no ponto escolhido pelos hippies, outro ambulante também adotou o esquema do colega, mas não teria a mesma sorte se o aviso viesse tarde. Com carteiras e cintos espalhados em uma arara móvel, o jeito, nesses casos, é correr. Correr muito. E compensa o perigo? Mais ou menos, mas ou eu trabalho para deixar o desemprego, ou tenho que roubar, sentenciou.
Se no Calçadão o clima era de espreita e angústia ante a chegada dos fiscais, na Avenida São Paulo, nas proximidades do Terminal Urbano, era como se eles não existissem. O pessoal teima em ficar no Calçadão, ali não pode!, reclamou uma vendedora de CDs e DVDs piratas. Não que ali possa, ela remenda. A gente precisa se sujeitar a isso, ainda mais quem tem filho pequeno para sustentar.


