Olhares ariscos, um sinal do colega a metros de distância ou o aviso de quem simplesmente passava pelo local, sem ter nada a ver com a história. Aparentemente simples, as estratégias foram utilizadas ontem de manh㠖 com relativo sucesso – por uma boa parte dos ambulantes no Centro de Londrina para despistar a fiscalização da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
  Um passeio pelo Calçadão revelava os primeiros sinais de que o dia mais agitado para o comércio, definitivamente, não abriria vez a esses vendedores. Sinais deixados sobretudo pelo reforço no efetivo de policiais militares - por vezes, até cinco em um único quarteirão – e de cerca de 20 agentes da CMTU, que diligenciaram a área em carro, motos e a pé.
  Segundo o coordenador de trânsito e posturas da Companhia, Haroldo Takaso, a operação, que durou até às 13 horas (horário de fechamento do comércio), apreendeu uns poucos guarda-chuvas e alguns doces. Aglomerados durante todo o quarteirão do Cine Teatro Ouro Verde, os hippies não foram interpelados pelos fiscais. ‘‘Não queremos entrar em confronto’’, adiantou o gerente de fiscalização de trânsito da CMTU, Álvaro Grotti Junior, dando a entender que a próxima semana ‘‘deve ter novidades’’.
  Um vendedor ambulante de CDs piratas espreitava o ponto próximo ao Banco Itaú ajudado por um colega. Ao sinal combinado, a mercadoria era guardada em uma sacola em poucos segundos. ‘‘A gente trabalha tenso, mas vale a pena. Se os fiscais chegam, nem preciso correr, o CD é fácil de esconder’’, contou. ‘‘Camuflado’’ no ponto escolhido pelos hippies, outro ambulante também adotou o esquema do colega, mas não teria a mesma sorte se o aviso viesse tarde. Com carteiras e cintos espalhados em uma arara móvel, o jeito, nesses casos, ‘‘é correr. Correr muito’’. E compensa o perigo? ‘‘Mais ou menos, mas ou eu trabalho para deixar o desemprego, ou tenho que roubar’’, sentenciou.
  Se no Calçadão o clima era de espreita e angústia ante a chegada dos fiscais, na Avenida São Paulo, nas proximidades do Terminal Urbano, era como se eles não existissem. ‘‘O pessoal teima em ficar no Calçadão, ali não pode!’’, reclamou uma vendedora de CDs e DVDs piratas. Não que ali possa, ela remenda. ‘‘A gente precisa se sujeitar a isso, ainda mais quem tem filho pequeno para sustentar’’.

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