Ambulantes comemoram cassação de Garib
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terça-feira, 29 de junho de 1999
Por Jobson Lemos, especial para a AE 
São Paulo, 30 (AE) - Os ambulantes do Brás, na zona leste de São Paulo, fizeram hoje uma queima de fogos para comemorar a cassação do deputado Hanna Garib. Diante de uma televisão, em frente do Largo da Concórdia, eles esperaram até que o noticiário do meio-dia anunciasse que o ex-vereador não é mais parlamentar para acender os rojões. Mais cedo, os camelôs também soltaram fogos diante da loja do presidente da Associação Comercial do Brás, Wehbe Youssef Da Walibe, o Jô. Ele é acusado pelos ambulantes de recolher dinheiro de comerciantes da região para Garib. Em troca, o ex-deputado garantiria a retirada das barracas das ruas do bairro. Jô teve sua prisão decretada e desapareceu. Hoje, a maioria de seus funcionários disse não ter o que declarar sobre o sumiço do patrão.
O ambulante Afonso José da Silva, um dos primeiros a denunciar Garib pelo esquema de propina, lamentou não poder participar da "festa". "Gostaria de estar no Brás para comemorar, mas só posso sair com escolta". Silva também acusou o ex-administrador da Regional da Sé, João Bento dos Santos Filho, de participar da arrecadação de propinas. Depois de exonerado do cargo, Santos Filho foi preso e denunciado pelo Ministério Público por concussão, formação de quadrilha e prevaricação. Em depoimentos à polícia, Santos Filho foi citado como um dos que sabiam e se beneficiavam do esquema. O ambulante Nelson Augustaitis está entre os que o citaram.
Em seu depoimento, ele disse ter reclamado ao ex-administrador que sua barracas estavam sendo apreendidas, mesmo com o pagamento da propina. Segundo o camelô, esse diálogo se deu ao lado de Garib, que reclamou de os fiscais terem recebido em cheque. As apreensões de barracas de que reclamava Augustaitis ficavam a cargo do ex-chefe do rapa Pierre Salloun El Nanhoum, considerado o braço direito de Garib na Sé e acusado de coordenar a cobrança de propinas no centro.


