São Paulo, 29 (AE) - O ambulante Afonso José da Silva voltou a denunciar, hoje, o deputado estadual Hanna Garib como um dos supostos líderes no esquema de cobrança de propinas na Administração Regional da Sé. No depoimento prestado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais, Silva revelou que a Associação dos Comerciantes do Brás (Acob) teria contribuído na retirada de ambulantes da região do Brás.
Segundo Silva, um funcionário da Prefeitura identificado como Robson Carneiro teria revelado que, em algumas ocasiões, o presidente da associação, Whebe Youssef Dawalibe, o Jô, teria pago a gasolina dos caminhões e a diária de fiscais da regional para a retirada de ambulantes das ruas do Brás, no ano passado.
O depoimento do ambulante, que sofreu um atentado no dia 20 de fevereiro, foi semelhante ao que ele já havia prestado à Polícia Civil. Segundo ele, a propina era recolhida de comerciantes e ambulantes do Brás. Enquanto os comerciantes pagavam para a retirada dos ambulantes, estes, por sua vez, pagavam para permanecerem nas ruas.
Na campanha eleitoral do ano passado, segundo Silva, Jô teria recolhido R$ 442 mil entre os comerciantes, dinheiro que seria destinado para a campanha de Garib. Além disso, semanalmente era recolhido um pedágio entre os associados. "Em cada rua eram recolhidos cerca de R$ 2 mil, que seriam divididos entre Jô e Garib", disse Silva. Parte do dinheiro destinado a Jô teria por finalidade o pagamento de fiscais da AR-Sé.
"Nas ruas em que a propina semanal era paga não havia ambulantes", disse Silva. Em relação aos camelôs, a taxa era de R$ 20,00 por barraca. "Eles pagavam em ruas onde os comerciantes eram mais tolerantes com o comércio ambulante", contou. Ele não soube informar, porém, se esse dinheiro também iria para Garib. "A cobrança dos ambulantes era feita até por alguns policiais militares".
Em duas ocasiões, os camelôs levaram uma proposta de regularização da atividade para o prefeito Celso Pitta (sem partido). Nenhuma medida, porém, teria sido tomada. "O prefeito ficou surpreso quando dissemos que havia muitos comerciantes que não eram contra nós", disse Silva.
O depoente também citou o episódio envolvendo a empresa WSita, que estaria envolvida em um esquema de venda de barracas padronizadas para os bolsões. O vendedor da empresa dizia que tínhamos de comprar aquele modelo", afirmou. Os preços variariam de R$ 900,00 a R$ 1,6 mil. Consciência limpa - O depoimento foi acompanhado pelo advogado de Garib, João Fernando Lopes de Carvalho, que trabalha no escritório do advogado Alberto Rollo. "Até o momento não foi revelada nenhuma acusação formal contra Garib", disse Carvalho. Segundo ele, o deputado não se preocupa com as acusações. "Ele está com a consciência tranquila".
Até as 18 horas, o depoimento de Silva não havia terminado. A CPI também ouviria o presidente da Associação dos Camelôs Independentes de São Paulo, Gilberto Monteiro da Silva, acusado de "lotear" o Viaduto Santa Ifigênia e cobrar propinas de ambulantes. Dawalibe, que também prestaria depoimento, não compareceu. Ele teve a prisão temporária decretada no mês passado e está foragido.
O presidente da CPI, vereador José Eduardo Martins Cardozo, (PT) não descarta a possibilidade de Garib ser chamado para depor. "Vamos esperar o fim dos depoimentos e o relatório parcial antes de tomar qualquer iniciativa".
Hoje, os vereadores Dalton Silvano (PSDB) e Milton Leite (PMDB) foram à Regional da Penha verificar as denúncias de propina por parte da empresa Panco ao vereador Vicente Viscome (sem partido). Segundo Silvano, a empresa teria multas no valor de R$ 2 milhões.

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