Ambulante que denunciou Garib é assassinado16/Mar, 20:09 Por Marcelo Godoy São Paulo, 13 (AE) - O camelô Gilberto Monteiro da Silva de 37 anos, foi assassinado com pelo menos nove tiros hoje pela manhã, quando chegava a uma das associações de ambulantes que preside, a Associação dos Distribuidores de Coco Verde de São Paulo. Três homens participaram do crime. O ambulante foi uma das principais testemunhas no processo que cassou o então deputado estadual Hanna Garib, acusado de receber propina para permitir o trabalho de ambulantes no Viaduto Santa Ifigênia, em São Paulo. Nenhum dos autores do crime, que pode ser uma queima de arquivo, foi preso. "Todas as hipóteses serão investigadas", disse o delegado Osmar Ribeiro Santos, da 2.ª Delegacia do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Silva estava sendo ameaçado. "Ele me disse, terça-feira, que a morte dele estava próxima", afirmou José Francisco Vidotto, advogado da vítima. Um dia antes, Silva havia testemunhado o assassinato do caminhoneiro Eugênio Carlos Arruda de Oliveira, de 37 anos, no mesmo lugar onde acabou sendo morto, o Largo do Pari, a 150 metros da sede da Prefeitura de São Paulo. "Foi uma execução", disse o camelô Afonso José da Silva. Presidente do Sindicato dos Camelôs Independentes de São Paulo e também testemunha contra Garib. Silva sobreviveu a um atentado a bala em 1999. Monteiro da Silva morreu às 9 horas. Um amigo o deixou na frente da associação do coco verde. Quando tocava a campainha foi surpreendido. Com pistolas calibre 380 (semelhante ao 9 milímetros), os bandidos atiraram quatro vezes. Silva, já baleado, entrou em um bar ao lado e tentou esconder-se no banheiro. Em vão. Não pôde fechar a porta e os bandidos atiraram mais seis vezes. As balas acertaram tórax, cabeça e pernas. O trio fugiu a pé. Não levou os R$ 46,00 e o talão de cheques, que estavam na carteira, nem o telefone celular e o relógio da vítima. Na época da cassação de Garib, Silva era o presidente da Associação dos Camelôs Independentes de São Paulo e controlava o comércio ambulante no Viaduto Santa Ifigênia. De acordo com as denúncias, o ex-deputado controlava politicamente a Administração Regional da Sé e recebia parte da propina arrecadada pelos fiscais. Garib sempre negou as acusações. Segundo o advogado da vítima, neste ano, Silva voltou atrás nas acusações que fizera contra Garib, mas não contra os fiscais, ao depor na polícia. O DHPP ouviu hoje o depoimento de cinco testemunhas do caso. No fim do ano passado, Reinaldo Pereira de Santana, outro camelô que havia acusado Garib, foi assassinado a tiros. Segundo o promotor Roberto Porto, após a notícia de mais esses crime, várias testemunhas contra a máfia dos fiscais da Prefeitura desmarcaram os depoimentos.

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