Ambulante diz que viu Garib receber dinheiro
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terça-feira, 15 de junho de 1999
Por Fred Ferreira, especial para a AE 
São Paulo, 16 (AE) - O ambulante Gilberto Monteiro da Silva afirmou hoje, em depoimento no Conselho de Ética da Assembléia, que viu uma única vez o comerciante Luiz Antônio da Silva, o Lula - encarregado da segurança dos camelôs do Viaduto Santa Ifigênia -, entregar dinheiro pessoalmente ao ex-vereador e deputado Hanna Garib (sem partido).
Segundo Silva, o fato ocorreu em 1995, no então gabinete de Garib na Câmara Municipal. Silva contou, ainda, que o dinheiro era cobrado de ambulantes que queriam trabalhar à noite no Viaduto Santa Ifigênia e repassado por Lula a Garib.
"Numa das reuniões que tive com o Garib na Câmara, vi o Lula entregando dinheiro na mão do tio (Garib)", contou. Silva, que ficou nove dias preso no Instituto de Criminalística (IC), em fevereiro - acusado de ser o responsável pelo controle das bancas instaladas no viaduto -, não havia contado à polícia que viu Lula dar dinheiro na mão de Garib.
Para o advogado do deputado, Alberto Rollo, o depoimento dado por Silva, ontem, confirma a conotação política que vem sendo dada ao caso Hanna Garib. Ele estranhou que o ambulante não tenha revelado nada à polícia, antes. Rollo mostrou várias reportagens em que Silva deu versões diferentes e contraditórias sobre a participação de Garib no suposto esquema de propinas da Administração Regional da Sé.
Hoje, o conselho ouviu também a primeira testemunha chamada pela defesa de Garib, o funcionário do depósito de apreensões da AR-Sé, Antonio Alberto Alves. Ele está preso, sob a acusação de ser o responsável pela cobrança de propina para a liberação de materiais apreendidos. "O mais importante foi a confirmação de que ele (Alves) conhece Garib", disse o deputado Elói Pietá (PT). "Além disso, confirmou que houve realmente uma reunião entre Garib, Nélson dos Dogs, ele (Alves) e o então administrador regional da Sé, João Bento", disse Pietá.
Amanhã, serão ouvidos dois jornalistas, também convocados pela defesa de Garib, que dispensou o depoimento do delegado Romeu Tuma Junior, previsto para depois de amanhã.
O Conselho de Ética votará o parecer de Pietá, relator do processo no conselho, somente no dia 23, e não 22, como estava agendado. O parecer poderá pedir a cassação do mandato de Garib ou o arquivamento do processo. A votação em plenário seria secreta e por maioria simples de votos.
"Acredito que irão cassar o mandato dele, pois os deputados da Casa não querem correr o risco de ficar com fama de pizzaria, como ocorreu com o fim da CPI municipal", previu um parlamentar.


