São Paulo, 22 (AE) - O presidente do Sindicato dos Camelôs Independentes, Afonso José da Silva, saiu hoje da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Atingido por quatro tiros no abdome e no tórax, ele está fora de perigo, mas deve ficar mais sete dias no Pronto-Socorro do hospital. Silva prestou depoimento durante duas horas ao delegado Américo dos Santos Neto, do 4.º Distrito Policial. Ele descreveu a pessoa que o feriu no sábado à noite, no Brás.
De acordo com o ambulante, que denunciou no início do mês um suposto esquema de corrupção na Administração Regional da Sé, o atirador é branco, tem cerca de 20 anos e os dentes frontais projetados, "à Ronaldinho". É bronzeado ."Cor de quem vive na rua, e não em escritório", disse. Os cabelos ele classificou de "bagunçados" e os olhos do atirador são castanho-escuros. Do outro homem que invadiu sua casa Silva não se lembra com detalhes. Ele disse que o retrato falado, feito por um especialista, tem "90% de chance" de corresponder a seu agressor.
O crime está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e pelo delegado Romeu Tuma Júnior, que apura as denúncias sobre o suposto esquema de corrupção na Administração Regional da Sé.
Hoje também foi registrado o depoimento da ambulante Ana Maria Gasques da Silva, que vem recebendo ameaças anônimas desde que fez denúncias sobre esquema de propinas na Regional da Sé. Duas pessoas teriam vigiado sua casa e disparado contra seu marido, quando ele saía da residência, em Guarulhos.
De acordo com o promotor José Carlos Blat, um dos que investigam a máfia dos fiscais, os atentados contra Silva e Ana Maria devem ter sido tentativa de "queima de arquivo". O ambulante recebeu as visitas de Ana Maria, do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, do deputado federal Luiz Antônio de Medeiros (PFL-SP) e de assessores da Central Única dos Trabalhadores (CUT). O vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT) também esteve no local.
Amanhã devem ser ouvidas duas testemunhas do atentado a Silva.Além da segurança da Santa Casa, há dois policiais cuidando da segurança do ambulante.

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