São Paulo, 08 (AE) - No depoimento prestado durante a tarde de hoje, na Câmara Municipal, a vendedora ambulante Aparecida Martins Santiago, que há três anos recolhe dinheiro de 90 camelôs que trabalham no Viaduto Santa Ifigênia e entrega para fiscais da Administração Regional da Sé, apontou o deputado estadual Hanna Garib como o grande "chefão" do esquema na Sé. Ela afirmou que, por semana, chegava a repassar para fiscais R$ 1,6 mil e há oito anos paga propina para poder trabalhar.
Aparecida, presa desde 30 de janeiro, quando foi flagrada por policiais recolhendo dinheiro de ambulantes, disse que, por ser a mais velha, foi escolhida há três anos por outros ambulantes, para exercer a função. De acordo com seu depoimento, ela e os outros ambulantes não tinham licença para trabalhar. Ela falou sobre o "café semanal" que precisava entregar para os fiscais da AR-Sé. "O dinheiro do rapa era o primeiro que eu precisava separar para poder trabalhar em paz". E continuou: "Esse dinheiro era o cafezinho do fiscal. Eu recolhia de R$ 10 00 a R$ 20,00, por semana, de cada barraca".
Segundo ela, eram cerca de 90 barracas e, depois de fazer a coleta - que totalizava cerca de R$ 1,6 mil -, ela levava o dinheiro para um bar, na Rua José Paulino, no Bom Retiro, e o entregava para Marinho ou Zé Preto, chefes do rapa. "Eles falavam que o dinheiro era para a chefia". "E todo mundo comentava que a chefia eram várias pessoas da Prefeitura, entre elas o vereador Hanna Garib". "Nunca pensei que poderia ser presa por isso, porque achava aquilo normal. Eu pagava para eles e poderíamos trabalhar e sustentar nossas famílias", declarou. "São Paulo todinha paga propina e eu sou uma vítima da corrupção".
Aparecida contou também que seu marido, Carlos Aparecido da Silva, é funcionário da regional. "Ele entrou lá como encarregado de faxina mas depois foi trabalhar no rapa", disse. "Ele ganhava R$ 200,00 por semana". Ela revelou que há oito anos paga propina para poder trabalhar no Santa Ifigênia, vendendo produtos eletrônicos. Segundo ela, a última vez que entregaria o dinheiro para os fiscais seria em 30 de janeiro, dia de sua prisão.
Aparecida disse que sua filha recebeu um telefonema de um advogado, que teria oferecido R$ 4 mil para que ela mudasse o seu depoimento na CPI. Segundo ela, o advogado trabalha para Garib, mas sua filha, Patrícia Santiago, de 28 anos, que recebeu a ligação, disse que era advogado do Marinho e de Marco Antonio da Silva, que trabalha na Prefeitura e é cunhado da ambulante.
Aparecida também denunciou a existência de corrupção na Rua 25 de Março. Ela entrou algemada na Câmara e usava um colete à prova de balas. Após seu depoimento, os vereadores convocaram sua filha, Patrícia, para prestar declarações sobre os telefonemas que recebeu. Negativa - Na manhã de hoje, o engenheiro Adílson Roberto Vietri
que trabalhou como supervisor de Obras na Administração Regional da Penha, no período de abril de 97 a fevereiro de 98, também prestou depoimento à CPI dos Fiscais. Hoje, ele completou 29 anos de trabalho na Prefeitura e informou que nunca se envolveu no esquema de corrupção. Ele negou qualquer envolvimento com a assessora Tânia de Paula, que, em seu depoimento à CPI, disse que recebia dinheiro da Supervisão de Obras. "Nunca recebi nada ou entreguei para dona Tânia de Paula. Nós não tínhamos contato, pois ela não trabalhava no meu departamento".

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