Ambiente preocupa mais os brasileiros
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de janeiro de 2002
Liana John <br>Agência Estado 
Campinas Desmatamentos, contaminação de rios, lagoas e praias, e poluição do ar são os piores problemas ambientais, no Brasil e no mundo. Entre os problemas ambientais locais, a falta de saneamento básico é o que mais preocupa os brasileiros, sobretudo os que habitam as Regiões Norte e Nordeste. A maioria da população revela-se disposta a trabalhar de forma voluntária pelo meio ambiente, embora apenas 1% esteja vinculado a alguma entidade ambientalista. Estes são alguns dos resultados da 3ª edição de uma pesquisa nacional de opinião, realizada a cada quatro anos pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser), sob coordenação de Samyra Crespo, do Iser.
A pesquisa procura oferecer um retrato da consciência ambiental no Brasil, com dados comparáveis a pesquisas anteriores e informações de outros países, de modo a subsidiar os setores governamental e não-governamental na formulação de políticas de gestão ambiental e estratégias de promoção do desenvolvimento sustentável.
Sua primeira edição foi divulgada em 1992 e a segunda em 1997. A novidade desta última versão, divulgada com exclusividade pela Agência Estado, é uma série de perguntas sobre consumo sustentável, ou seja, sobre a influência de questões ambientais e de saúde na decisão de compra de produtos e do consumo de bens e serviços, como energia e água. Com a nova bateria de perguntas, a pesquisa, inicialmente batizada de O Que o Brasileiro Pensa de Ecologia, agora chama-se O Que o Brasileiro Pensa do Meio Ambiente e do Consumo Sustentável.
Foram 2 mil entrevistas domiciliares, feitas em outubro de 2001, com brasileiros de mais de 16 anos, de zonas urbanas e rurais, seguindo a proporção que melhor representa a distribuição da população brasileira, por idade, sexo, escolaridade, renda e região, conforme a amostragem utilizada em eleições presidenciais. Como nas edições anteriores, a coleta de dados foi realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope).
As florestas em especial, a Amazônica são o principal motivo de orgulho nacional, citadas espontaneamente por 28% dos entrevistados como o grande diferencial ambiental do Brasil em relação a outros países. Os rios ou a grande quantidade de água doce também foram lembrados, mas a proporção é pequena: 4%. Somados, os recursos naturais são a principal vantagem nacional para 39% da população, um percentual que cresceu em relação à pesquisa de 1997, na qual 30% dos entrevistados deram a mesma resposta.
A Amazônia apareceu mais valorizada pelos habitantes da região Norte, entre os quais 49% apontaram as florestas como principais vantagens do Brasil. Também foi bastante valorizada pelos moradores do Sul e Sudeste (31%), perdendo importância nas regiões Centro-Oeste (28%) e Nordeste (18%).
Apesar de todo o orgulho em ser brasileiro e possuir um tesouro verde na Amazônia, no plano individual, o automóvel é o símbolo da contradição ambiental nacional. Entre 1997 e 2001 aumentou de 25% para 29% o percentual da população que declarou ter o hábito de dirigir. E continua alto (51%) o número dos que não querem abrir mão do conforto e não pretendem diminuir seu uso.
Regular o motor é a concessão mais acessível aos proprietários de automóveis para reduzir a poluição e sua contribuição pessoal contra o efeito estufa. Mesmo assim, caiu de 84% para 66% o percentual de entrevistados dispostos a fazer a regulagem. Também caiu de 66% para 53% o percentual dos que deixam o carro em casa uma vez por semana, compensado pela carona oferecida a um vizinho (não mencionada em 1997 e citada por 43% em 2001). Caíram igualmente os percentuais daqueles dispostos a comprar um carro mais caro, porém mais econômico, e a pagar mais impostos sobre combustíveis.


