Ambientalistas rebatem críticas
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sexta-feira, 06 de março de 1998
Da Redação 
ArquivoAcampamentoCenas da invasão da estrada que fica no Parque Nacional do Iguaçu, ocorrida em janeiro deste anoA UNEAP (União das Entidades Ambientalistas do Paraná), que representa cerca de 100 entidades no Estado, permanece em fase de negociação com os empresários da região de Foz do Iguaçu, devido ao anúncio do início de uma campanha de boicote ao turismo em Foz do Iguaçu, divulgada em 3 de fevereiro do corrente ano, pela entidade.
Esta campanha de boicote vem como forma de pressionar as autoridades brasileiras a fazer cumprir a determinação judicial, estabelecida desde o dia 14 de janeiro de 1998, pelo juiz da 1ª Vara Federal Zuudi Sakakihara, que, até a presente data não foi cumprida e que requer a retirada dos invasores da Estrada do Colono, que corta o Parque Nacional do Iguaçu, mantendo o seu fechamento.
A entidade esclarece que o boicote ao turismo a Foz do Iguaçu foi a única maneira de chamar a atenção do mundo para a grave situação que ora ameaça o Parque Nacional do Iguaçu, Patrimônio Natural da Humanidade, importante reserva da biosfera, tombado desde 1986 pela UNESCO, cuja principal condição para a concessão deste importante título foi o fechamento definitivo da estrada em questão. Decisão esta tomada a partir de avaliação técnica criteriosa, envolvendo técnicos brasileiros e estrangeiros e tendo sido aceita pelo Brasil.
Os ambientalistas enfatizam que, se existe uma determinação judicial para ser cumprida e não conseguem cumprí-la, então encontra-se ameaçado o Estado de Direito, a garantia da proteção dos Direitos Fundamentais do Cidadão, e isto é muito grave em qualquer país.
Este período de negociação é visto pelos ambientalistas como a possibilidade positiva e preventiva de se parar para avaliar toda a situação do Parque, que é uma Unidade de Conservação composta tanto pelas Cataratas do Iguaçu quanto pela floresta que as protege, pois o que acontece de um lado afeta diretamente o outro. E sendo este Parque a principal fonte de renda da região, através do turismo e do ICMS Ecológico, as pessoas da região deveriam ser as primeiras a protegê-la e a zelar pela sua integridade. Estimulando isso, as lideranças locais estariam cumprindo um bom papel.
Consideram um equívoco o argumento de condicionar o desenvolvimento da região à abertura daquela estrada. O movimento ambientalista possui uma idéia de desenvolvimento integrado e sustentável, ou seja, que promova a qualidade de vida em todos os seus setores, utilizando de forma racional os recursos naturais. Considera limitada a reivindicação da região, uma vez que apenas visa a abertura da estrada e, em momento algum, solicita políticas públicas em saúde, educação, saneamento básico, geração de empregos etc., ou seja, não existe um projeto de desenvolvimento que de fato melhore as condições de vida da população daqueles municípios.
Aliás, há uma grande contradição em sua proposta, pois para o fim que as lideranças da região pregam, essa estrada jamais poderia ser uma estrada parque. Com o tráfego de cargas pesadas (caminhões, ônibus etc.), ficaria definiticamente decretada a destruição dessa importante Unidade de Conservação.
-Sarah de Azevedo Kobel (Associação XAMA), secretária executiva da UNEAP; Laura Jesus de Moura e Costa (CEDEA), secretária executiva da UNEAP


